Elon Musk: empresário é dono da rede social X (Chip Somodevilla/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 15h27.
O empresário Elon Musk acusou o governo do Reino Unido de agir de forma “fascista” depois que autoridades britânicas intensificaram ameaças de bloquear o X, antigo Twitter, por causa da circulação de imagens sexualizadas de mulheres e crianças produzidas pelo Grok, ferramenta de inteligência artificial da empresa xAI.
A reação veio após Musk comentar um gráfico que supostamente mostraria o Reino Unido como o país com mais prisões no mundo por comentários em redes sociais.
“Por que o governo do Reino Unido é tão fascista?”, escreveu o empresário. Em outras publicações, afirmou que o país estaria tentando “repreender a liberdade de expressão” e se referiu ao Reino Unido como um "presídio numa ilha".
As declarações ocorrem no momento em que o governo britânico avalia medidas duras contra o X, incluindo a possibilidade de bloqueio do serviço no país, caso a empresa não se adeque à legislação local.
Segundo análises de terceiros citadas por autoridades britânicas, o X se tornou um dos principais espaços para a disseminação de imagens de pessoas que tiveram suas roupas removidas sem consentimento por meio de inteligência artificial.
Em alguns períodos, foram registrados milhares de casos por hora.
A Internet Watch Foundation, entidade responsável por sinalizar material de abuso sexual infantil às autoridades, afirmou ter encontrado imagens “criminosas” na dark web que teriam sido geradas pelo Grok. As imagens mostram meninas entre 11 e 13 anos em situações descritas como “sexualizadas e seminuas”.
De acordo com a fundação, o conteúdo atende aos critérios para atuação imediata das forças de segurança.
O Grok é operado pela xAI, enquanto a rede social X pertence ao próprio Musk. As duas empresas estão no centro das cobranças feitas pelo governo britânico.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou nesta semana que o X precisa “se organizar urgentemente” diante da proliferação das imagens. Já a secretária de Tecnologia, Liz Kendall, declarou que o regulador de mídia Ofcom deve usar “todos os seus poderes legais”.
Segundo Kendall, o governo pode “bloquear serviços de acesso no Reino Unido” caso as plataformas se recusem a cumprir a lei.