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Muita simpatia e poucos acordos: Trump termina visita à China sem grandes anúncios

Presidente teve várias reuniões com Xi Jinping, mas deixou Pequim sem divulgar avanços em tarifas, terras raras e outros temas

Xi Jinping, presidente da China, com o presidente dos EUA, Donald Trump, em Pequim (Keny Holston/AFP)

Xi Jinping, presidente da China, com o presidente dos EUA, Donald Trump, em Pequim (Keny Holston/AFP)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 15 de maio de 2026 às 07h50.

Última atualização em 15 de maio de 2026 às 07h52.

A visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China, concluída nesta sexta-feira, 15, foi marcada por muitas cenas de cordialidade entre ele e o presidente Xi Jinping, mas por poucos anúncios concretos.

Trump deixou o país sem divulgar novidades sobre tarifas de importação, acesso a terras raras ou novos negócios envolvendo inteligência artificial ou chips.

Ao partir, o presidente americano disse que fechou "acordos comerciais fantásticos" e que Xi ofereceu ajuda para desbloquear o Estreito de Ormuz, mas sem detalhar quais parcerias foram feitas.

Em entrevista à Fox News, Trump afirmou que a China comprará 200 aviões da fabricante americana Boeing e que o país manifestou interesse em adquirir mais petróleo e soja dos EUA. As ações da empresa americana de aviação caíram após a fala, em um sinal de que o mercado esperava uma compra mais robusta por parte da China.

No entanto, Trump não anunciou novidades em redução de tarifas e barreiras comerciais ou aumento do acesso a terras raras.

Atualmente, as tarifas médias sobre produtos chineses cobradas pelos EUA estão em 22%, segundo o banco japonês Nomura. Elas chegaram a 145% no ano passado, mas foram sendo reduzidas após a China pressionar os americanos com bloqueios na exportação de minerais críticos.

Uma trégua nas tarifas foi fechada em outubro do ano passado, com validade de um ano, de modo que há tempo para mais conversas. Trump convidou Xi para visitar a Casa Branca em setembro, um mês antes desse prazo.

Do lado chinês, também não houve confirmação de acordos e anúncios de novas compras, ao menos até a publicação desta reportagem. Perguntado sobre o tema, o porta-voz da diplomacia chinesa não negou nem confirmou as informações.

Nos últimos meses, vários países fecharam acordos com a China para ampliar exportações, incluindo Coreia do Sul e Canadá, duas nações muito ligadas economicamente aos EUA.

Efeitos de imagem

Ao mesmo tempo, a viagem fica marcada por inúmeras cenas de Trump e Xi em conversas simpáticas em lugares históricos de Pequim. A mídia chinesa buscou destacar a surpresa do presidente americano e de seus secretários com o tamanho dos palácios chineses.

Trump, que fez muitos discursos prometendo ser duro com a China, parecia tranquilo e evitou ataques durante a viagem. Em vez disso, fez elogios a Xi e o chamou de amigo. O dirigente chinês, pelo seu lado, disse que os dois "estabeleceram uma nova relação bilateral, baseada em uma estabilidade estratégica construtiva". Os frutos dessa nova fase ainda precisam ser melhor conhecidos.

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