Mugabe: o aniversário do ditador

Robert Mugabe, o ditador do Zimbábue, completa nesta terça-feira 93 anos, 29 deles como presidente do país e outros 7 antes disso como primeiro-ministro. Como é próprio de regimes não-democráticos, o seu líder até tem motivos para comemorar a data — a longevidade e a vitalidade, de fato, impressionam —, mas a população, 73% dela vivendo abaixo da linha da pobreza, dificilmente terá razões para celebrar a data.

Embora seja considerado por muitos um herói, sobretudo pelo seu papel na guerrilha que fundou o páis no final dos anos 1970 após 15 anos de conflito com a elite branca herdeira do colonialismo britânico, Mugabe é o padrão-ouro dos tiranos modernos nos países subdesenvolvidos: fraudes sucessivas de eleições, assassinato de opositores, desrespeito às liberdades individuais, censura, e enriquecimento ilícito. Em seu último aniversário, em 2016, Mugabe afirmou que não tinha planos para deixar o poder. “Foi Deus que me colocou aqui e só ele poderá me tirar”, afirmou.

Se Mugabe fosse um cidadão comum do seu país, é bem provável que sua hora já tivesse chegado. A expectativa de vida no Zimbábue é de 57 anos e, durante os anos mais duros da hiperinflação — agora controlada com a substituição total do dinheiro do país por dólares americanos e rands da África do Sul —, marcou o seu nível mais baixo: 40 anos. Apesar de estar em recuperação nos último anos, está longe ainda de ser a de quando Mugabe assumiu o poder, em 1987, quando as estatísticas do Banco Mundial anotavam 62 anos.

A mulher do ditador, Grace Mugabe, também conhecida informalmente como Gucci Grace por conta da suas famosas excursões de compras pelo exterior, afirmou no final de semana que os apoiadores do marido deveriam colocar o nome dele na cédula de votação mesmo depois de Mugabe morrer. “Se Deus decidir levá-lo, então deveríamos pô-lo na corrida mesmo como cadáver”. Dado o histórico de manipulações políticas do país, não surpreenderia se isso vier a acontecer.

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