Morre ex-ministro do Interior da última ditadura argentina

Harguindeguy, ex-general de divisão do Exército, foi titular do Interior entre março de 1976 e março de 1981, durante a presidência de Jorge Rafael Videla

Buenos Aires – O ex-general Albano Harguindeguy, que foi ministro do Interior durante a última ditadura argentina (1976-1983), morreu nesta segunda-feira, aos 85 anos, em sua casa em Buenos Aires, onde cumpria prisão domiciliar por delitos de lesa-humanidade, segundo informou a imprensa local.

Harguindeguy, ex-general de divisão do Exército, foi titular do Interior entre março de 1976 e março de 1981, durante a presidência de Jorge Rafael Videla.

O ex-militar foi um dos condenados em 1985 pelo histórico julgamento das cúpulas militares da ditadura e depois indultado em 1990 pelo então presidente Carlos Menem (1989-1999); benefício revogado pela Justiça em 2006, momento desde o qual estava sob prisão domiciliar.

Desde o último mês de março, Harguindeguy era submetido a julgamento oral, junto com outras oito pessoas, por um tribunal da cidade de Paraná por crimes de privação ilegítima da liberdade, torturas, formação de quadrilha e homicídio cometidos durante a última ditadura na província de Entre Ríos.

A partir de março do ano que vem, Harguindeguy, junto com outros 17 acusados, seria submetido a outro julgamento oral em tribunais de Buenos Aires em uma causa por delitos de lesa-humanidade cometidos no marco do denominado ”Plano Condor”, de coordenação entre as ditaduras da América do Sul.

Em agosto passado, tinha sido processado junto com Videla e o ex-chefe do Terceiro Corpo do Exército argentino, Luciano Benjamín Menéndez, por um homicídio e 38 casos de privação ilegítima da liberdade, tortura e tentativa de estupro na província de La Rioja.

Em julho foi processado também com Videla e Menéndez, por sua suposta participação no assassinato do bispo Enrique Angelelli, em 1976.

O ex-ministro do Interior era ainda investigado pelo sequestro na Argentina de cidadãos peruanos durante o Mundial de 1978, no marco do ”Plano Condor”.

Em 2009 um tribunal argentino o tinha considerado imputável por alterações neurológicas no marco de uma causa na qual estava acusado pelo sequestro de empresários durante o regime militar.

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