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Ministra da Ucrânia sugere autoria de Kiev em explosão de ponte na Crimeia

Ataque em outubro do ano passado interrompeu importantes ligações de transporte entre a Rússia continental e a Crimeia e representou grande vitória de propaganda para Kiev

Guerra na Ucrânia (AFP/Reprodução)

Guerra na Ucrânia (AFP/Reprodução)

Agência o Globo
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Publicado em 9 de julho de 2023 às 13h51.

A vice-ministra da Defesa da Ucrânia, Hanna Maliar, fez neste domingo o que parece ser a admissão mais clara até agora de que as forças ucranianas foram responsáveis por um ataque em outubro do ano passado contra a ponte Kerch, que conecta a Rússia e a Península da Crimeia, território anexado por Moscou em 2014.

O ataque interrompeu importantes ligações de transporte entre a Rússia continental e a Crimeia, representando não apenas um golpe contra o esforço militar russo na Ucrânia, mas também uma grande vitória de propaganda para Kiev.

Segundo a CNN, ao listar 12 conquistas ucranianas desde o início da invasão russa em larga escala há mais de 500 dias, Maliar escreveu no Telegram: "Há 273 dias, (nós) lançamos o primeiro ataque contra a ponte da Crimeia para romper a logística russa."

Na época, autoridades ucranianas celebraram a explosão, mas não reivindicaram claramente o ato, que aconteceu exatamente no dia em que o presidente russo, Vladimir Putin, completou 70 anos.

A mensagem no Telegram também mencionou o naufrágio do navio de guerra russo Moskva (há 451 dias) e a liberação da Ilha da Cobra (há 373 dias).

A CNN contatou as Forças Armadas da Ucrânia para fazer uma declaração sobre a alegação de responsabilidade, mas diz que ainda não recebeu uma resposta.

Cúpula da Otan

Também neste domingo, o presidente polonês, Andrzej Duda, visitou a Ucrânia, onde insistiu na necessidade de os aliados ocidentais se manterem unidos em torno do país em guerra, às vésperas de uma cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) em que Kiev busca concretizar o seu processo de adesão à aliança militar. A Polônia é um dos principais apoios da Ucrânia na organização liderada pelos EUA.

"Juntos somos mais fortes", disse Duda nas redes sociais durante uma visita à cidade de Lutsk, no oeste da Ucrânia, juntamente com seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky.

"A Ucrânia e a Polônia estão juntas, unidas na luta contra um inimigo comum", disse o chefe da administração presidencial ucraniana, Andriy Yermak, no Telegram.

Zelensky voltou da Turquia no sábado, após uma breve viagem pelo Leste da Europa para reunir apoio antes da cúpula da Otan em Vilna, capital da Lituânia, em 11 e 12 de julho. O presidente estava acompanhado por altos comandantes do regimento do Batalhão Azov, que deveriam permanecer na Turquia até o fim do conflito, cumprindo um acordo diplomático entre Moscou e Kiev.

O Kremlin criticou sua repatriação, uma "violação direta" do pacto, segundo o porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov.

Os combatentes do regimento são celebrados como heróis na Ucrânia por sua resistência na siderúrgica Azovstal durante o cerco à cidade de Mariupol (sul), mas criticados na Rússia por suas ligações com o ultranacionalismo ucraniano.

Denys Prokopenko, um dos combatentes desse batalhão, citado pela agência de notícias Interfax Ukraine, declarou que vai voltar à frente de batalha.

– É por isso que voltamos à Ucrânia. É o nosso principal objetivo – disse Prokopenko, que, juntamente com os outros comandantes, vivia na Turquia desde setembro.

Peskov associou o retorno dos membros do regimento ao "fracasso da contraofensiva ucraniana" lançada em junho, mas também à vontade de Ancara de mostrar sua "solidariedade" antes da cúpula da Otan.

Bombas de fragmentação

Na reunião desta semana da Aliança Atlântica, Kiev receberá "garantias de segurança" dos seus aliados ocidentais, mas será difícil obter um calendário específico para o seu processo de adesão.

Os Estados Unidos já garantiram que a ex-república soviética ainda tem "muitas etapas a superar", e o chefe da aliança, Jens Stoltenberg, estimou que a adesão só poderá ser considerada após a guerra.

Antes de dirigir-se para a Lituânia para a cúpula da Otan, o presidente dos EUA, Joe Biden, se reunirá com o premier britânico, Rishi Sunak, e com o rei Charles III na segunda-feira, seu primeiro encontro com o monarca desde a coroação, em maio.

A viagem ocorre depois de os EUA decidirem enviar à Ucrânia bombas de fragmentação, que mata indiscriminadamente ao dispersar pequenas cargas explosivas antes ou depois do impacto em áreas amplas.

No sábado, Sunak, embora não tenha criticado diretamente os EUA, pontuou que o Reino Unido foi um dos 123 que assinaram a Convenção sobre Munições de Fragmentação, que bane a produção e o uso dessas armas.

Canadá, Nova Zelândia e Espanha – todos membros da Otan, como os EUA e o Reino Unido – também se posicionaram contra esse tipo de armamento.

Também no sábado, Zelensky, cujo governo celebrou a decisão dos EUA sobre o envio de bombas de fragmentação, disse esperar receber um "sinal claro" sobre a possibilidade de seu país ingressar na Aliança Atlântica.

O presidente ucraniano aplaudiu a "coragem" de seu povo em um vídeo divulgado no sábado, 500 dias após o início da guerra, e gravado na Ilha das Serpentes, no Mar Negro, território que simboliza a resistência contra Moscou.

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