Por que os mineradores de criptomoedas russos se tornaram alvos dos EUA

Segundo um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), a mineração de criptomoedas pode oferecer um caminho para a Rússia escapar das sanções
 (Reprodução/Foto)
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Por Carlo CautiPublicado em 22/04/2022 15:19 | Última atualização em 22/04/2022 17:24Tempo de Leitura: 5 min de leitura

As sanções ocidentais contra a Rússia de Vladimir Putin agora têm como alvo os "mineradores" de criptomoedas.

Ou seja, aquelas pessoas que fisicamente "criam" criptomoedas, como o bitcoin, através da resolução de complexas operações matemáticas.

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No começo da semana, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos publicou uma série de medidas visando atacar o universo dos mineradores russos de criptomoedas.

Washington acredita que a Rússia esteja usando criptomoedas para fugir das sanções internacionais.

Algo que, afinal, está no centro do debate desde os primeiros dias da guerra na Ucrânia.

Alerta do FMI contra uso de criptoativos na Rússia

As sanções do Departamento do Tesouro chegaram poucas horas após um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) no qual aparece claramente que a mineração de criptomoedas pode oferecer um caminho para países como Rússia e Irã contornarem sanções internacionais.

Isso permitiria canalizar recursos naturais que eles não conseguem exportar para operações de mineração com uso intensivo de energia, como mineração de bitcoin.

Segundo o primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, o mercado dos criptoativos da Rússia teria um valor de US$ 124 bilhões (cerca de R$ 600 bilhões).

Um valor que permitira facilmente para a Rússia eludir as sanções internacionais, utilizando canais de importação e exportação alternativos e pagando com criptoativos.

Por isso, Washington já ligou os holofotes, publicando medidas que visam excluir dos mercados internacionais as "fazendas de mineração" ligadas a Moscou direta ou indiretamente.

BitRiver é o maior alvo das sanções

As sanções atingiram principalmente a BitRiver, empresa que recentemente mudou sua sede para a cidade de Zug, na Suíça, junto com dez outras empresas russas consideradas suas subsidiárias.

A BitRiver é reconhecida como um dos maiores fornecedores mundiais de infraestrutura de mineração de criptoativos.

Mas esta empresa parece ter apenas o endereço suíço. Sendo que tudo, em sua história, leva para a Rússia.

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O fundador e CEO da empresa é o russo Igor Runets, um engenheiro que se formou com nota máxima na Universidade Técnica Estadual dos Urais, na cidade de Ekaterinburg.

Sua equipe é quase exclusivamente de funcionários russos. E o data center de 100 megawatts que anuncia no site também é russo: a sede fica em Bratsk, na Sibéria central.

Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, "ao operar vastas fazendas de servidores que vendem capacidade de mineração de moeda virtual internacionalmente, essas empresas ajudam a Rússia a monetizar seus recursos naturais".

Para Washington, a Rússia tem uma vantagem comparativa na mineração de criptomoedas graças a energia barata e ao clima frio.

No entanto, as mineradoras necessitam de equipamentos de informática importados, além de moeda tradicional para seu funcionamento, o que as torna vulneráveis ​​a sanções.

Rússia, lar de mineradores de criptomoedas

A Rússia é o lar de muitos mineradores de criptomoedas.

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Especialmente porque, cerca de um ano atrás, as províncias chinesas de Xinjiang, Mongólia Interna, Sichuan e Yunnan forçaram os mineradores de bitcoin e outros criptoativos a encerrar suas operações.

Essas províncias foram obrigadas a cumprir as metas climáticas impostas pelo governo central de Pequim, e as atividades de mineração de criptoativos, grandes consumidoras de energia, acabavam contribuindo demais para a poluição do ar.

Desde então, pelo menos 205.000 dispositivos de mineração de criptomoedas foram transferidos da China para a Federação Russa.

E 200 mil desses dispositivos foram direto para as mãos da BitRiver, que agora acabou na malha fina das sanções.

Sanções que visam interromper o poder computacional dessas empresas, forçando os mineradores a encontrar fontes alternativas.

Mas o local mais próximo, e propício, para esse tipo de atividades seria o Cazaquistão, um país que não está isento de problemas estruturais. Como os tumultos que ocorreram entre o final de 2021 e o começo de 2022.

Enquanto isso, os mineradores que não estão envolvidos com a BitRiver poderiam ganhar mais bitcoins com a mesma "taxa de hash", pois a dificuldade de mineração diminuiria, dada a menor concorrência dos mineradores da BitRiver.

Um cenário já visto no mundo das criptomoedas, após a saída das mineradoras da China.

Na época, isso significou uma perda de poder de cálculo global, que resultou em um ganho inesperado de vários bilhões de dólares para os mineradores norte-americanos.

As novas sanções impostas pelo Tesouro dos EUA também atingiram o Transkapitalbank, um banco comercial privado russo que, segundo Washington, ofereceu para seus clientes a capacidade de realizar transações por meio de um "sistema bancário proprietário baseado na Internet", que é uma alternativa ao Swift.

Em suma, o confronto entre EUA e Rússia após a invasão da Ucrânia está se transferindo no universo das criptomoedas. E os analistas do mundo inteiro estão aguardando para ver quem vai ganhar esse braço de ferro.

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