Microsoft confirma negociação com TikTok, acirrando guerra Trump vs. China

O governo americano anunciou que pode anunciar decisão sobre restrições ao TikTok ainda nesta segunda, enquanto Microsoft confirmou conversas para compra

Após semanas de especulação, uma potencial ação do governo dos Estados Unidos contra o aplicativo de vídeos TikTok pode estar mais perto nesta semana. O conselheiro de comércio americano, Peter Navarro, disse no fim de semana que o presidente Donald Trump poderia agir contra o app ainda nesta segunda-feira, 3.

Com mais de 1 bilhão de usuários e febre entre adolescentes, o TikTok pertence à startup chinesa ByteDance e vem sendo acusado por Trump de espionar usuários americanos.

A ByteDance afirma que não fornece dados de usuários fora da China ao governo chinês (na China, há um app separado, o Douyin). O mais recente movimento da ByteDance para sinalizar independência ante o governo chinês pode ser anunciado nas próximas horas. Nesta segunda-feira, 3, o jornal britânico The Sun afirmou que o TikTok deve mudar seu escritório de Pequim para Londres. O acordo teria sido fechado com o governo britânico, mas ainda não foi confirmado pela empresa.

O governo americano também manifestou o desejo de que o TikTok seja comprado por uma empresa americana. Após rumores na semana passada, a Microsoft confirmou oficialmente neste domingo que está em conversas com os chineses e que o presidente Satya Nadella conversou com Trump no fim de semana. As negociações ainda estão em fase inicial, e, se tudo avançar, a expectativa é de um acordo por volta de 15 de setembro.

Outra possibilidade é que a ByteDance separe oficialmente seu braço chinês dos negócios fora da China, com uma abertura de capital em Hong Kong ou na China e outra nos EUA ou em Londres. No intuito de se mostrar uma companhia global e apelar a Trump, a companhia também nomeou neste ano Kevin Mayer, americano e ex-executivo da Disney, como presidente do TikTok.

Algum tipo de medida americana contra o TikTok pode escalar as tensões na guerra comercial entre China e Estados Unidos. Entre o caminhão de desavenças já existentes, outra notícia da semana é que um dos ativistas com mandado de prisão em Hong Kong é um cidadão com nacionalidade americana, Samuel Chu. Chu está no Reino Unido no momento. Além de mandar prender ativistas em meio à nova lei de segurança nacional, a ilha comandada pela China adiou em um ano suas eleições legislativas previstas para setembro e barrou parte da oposição de participar.

A nova lei de segurança nacional em Hong Kong imposta no fim de junho é outro dos motivos de desavença nas relações sino-americanas nos últimos meses. A tensão entre China e EUA piorou em meio à pandemia, com Trump acusando os chineses de ter fabricado o coronavírus propositalmente e chamando-o de “vírus chinês”. Um esperado acordo comercial entre os países avançou, mas foi nublado pelas tensões. Para aumentar os problemas, os americanos expulsaram chineses de um consulado em Houston, no Texas, e o governo chinês fez o mesmo dias depois.

O tema do TikTok vem como mais um desafio nas relações entre as duas maiores economias do mundo.

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