Microsoft confirma negociação com TikTok, acirrando guerra Trump vs. China

O governo americano anunciou que pode anunciar decisão sobre restrições ao TikTok ainda nesta segunda, enquanto Microsoft confirmou conversas para compra
 (Florence Lo/Illustration/Reuters)
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Carolina Riveira

Publicado em 03/08/2020 às 06:54.

Última atualização em 03/08/2020 às 07:01.

Após semanas de especulação, uma potencial ação do governo dos Estados Unidos contra o aplicativo de vídeos TikTok pode estar mais perto nesta semana. O conselheiro de comércio americano, Peter Navarro, disse no fim de semana que o presidente Donald Trump poderia agir contra o app ainda nesta segunda-feira, 3.

Com mais de 1 bilhão de usuários e febre entre adolescentes, o TikTok pertence à startup chinesa ByteDance e vem sendo acusado por Trump de espionar usuários americanos.

A ByteDance afirma que não fornece dados de usuários fora da China ao governo chinês (na China, há um app separado, o Douyin). O mais recente movimento da ByteDance para sinalizar independência ante o governo chinês pode ser anunciado nas próximas horas. Nesta segunda-feira, 3, o jornal britânico The Sun afirmou que o TikTok deve mudar seu escritório de Pequim para Londres. O acordo teria sido fechado com o governo britânico, mas ainda não foi confirmado pela empresa.

O governo americano também manifestou o desejo de que o TikTok seja comprado por uma empresa americana. Após rumores na semana passada, a Microsoft confirmou oficialmente neste domingo que está em conversas com os chineses e que o presidente Satya Nadella conversou com Trump no fim de semana. As negociações ainda estão em fase inicial, e, se tudo avançar, a expectativa é de um acordo por volta de 15 de setembro.

Outra possibilidade é que a ByteDance separe oficialmente seu braço chinês dos negócios fora da China, com uma abertura de capital em Hong Kong ou na China e outra nos EUA ou em Londres. No intuito de se mostrar uma companhia global e apelar a Trump, a companhia também nomeou neste ano Kevin Mayer, americano e ex-executivo da Disney, como presidente do TikTok.

Algum tipo de medida americana contra o TikTok pode escalar as tensões na guerra comercial entre China e Estados Unidos. Entre o caminhão de desavenças já existentes, outra notícia da semana é que um dos ativistas com mandado de prisão em Hong Kong é um cidadão com nacionalidade americana, Samuel Chu. Chu está no Reino Unido no momento. Além de mandar prender ativistas em meio à nova lei de segurança nacional, a ilha comandada pela China adiou em um ano suas eleições legislativas previstas para setembro e barrou parte da oposição de participar.

A nova lei de segurança nacional em Hong Kong imposta no fim de junho é outro dos motivos de desavença nas relações sino-americanas nos últimos meses. A tensão entre China e EUA piorou em meio à pandemia, com Trump acusando os chineses de ter fabricado o coronavírus propositalmente e chamando-o de "vírus chinês". Um esperado acordo comercial entre os países avançou, mas foi nublado pelas tensões. Para aumentar os problemas, os americanos expulsaram chineses de um consulado em Houston, no Texas, e o governo chinês fez o mesmo dias depois.

O tema do TikTok vem como mais um desafio nas relações entre as duas maiores economias do mundo.