Microcréditos tentam voltar a ganhar força no Marrocos

Recorde histórico de pequenos financiamentos no país foi em 2007, com 1,3 bilhão de beneficiados

Rabat - Os microcréditos tentam voltar a ganhar força no Marrocos após sofrerem nos últimos três anos a maior crise de sua história, que interrompeu um crescimento que transformou o país em líder no mundo árabe.

"As instituições de microcréditos se deram conta de que podiam acabar", disse à Agência Efe o diretor-geral da Fondation Banque Populaire pour le Microcrédit (FBPM), Mustafa Biduj, sobre um setor que viu, em apenas três anos, como o número de beneficiados de pequenos empréstimos diminuiu.

Desde sua implantação na década de 1990, as microfinanças marroquinas se expandiram ano após ano até alcançar seu recorde histórico no final de 2007, com mais de 1,3 bilhão de beneficiados, segundo dados da Federação Nacional de Associações de Microcrédito (FNAM).

No entanto, esse crescimento, impulsionado pelas agências de cooperação internacional ao desenvolvimento, se apoiava em bases frágeis: cerca de 30% dos empréstimos eram créditos cruzados, ou sejam, as pessoas usavam outro empréstimo com uma entidade diferente para pagar o valor utilizado.

Além disso, uma alta taxa de inadimplência e outras práticas fraudulentas, como destinar o importe de crédito para o consumo, levaram o setor a perder força após "dez anos de euforia", nas palavras do diretor-geral da FBPM.

Para Biduj, "em certa medida, foi gerada uma corrida entre as associações de microfinanças, o que fez com que muitas delas se preocupassem mais em se desenvolver rapidamente do que em criar estruturas sólidas".


As últimas estatísticas da Federação de Associações mostram que no final de setembro de 2010 o número de beneficiados de microcréditos diminuiu no Marrocos até 812,5 mil pessoas, e o setor poderia ter chegado ao fundo do poço se não se reestruturasse seriamente para seguir adiante.

"Podemos prever um crescimento, mas será muito mais sereno, na medida em que tivermos os instrumentos necessários para uma boa gestão", afirmou o diretor-geral da FBPM, uma das quatro entidades de microcréditos mais importantes do país, que já em 2010 voltou a obter lucro.

Com ele concorda o auditor interno da Fundação Al Karama de Microcrédito, Hassan Samudi, que destacou que esta entidade, que faz parte das instituições pequenas e médias, "começou a crescer de forma mais controlada" após colocar ênfase em melhorar a formação dos agentes que lidam com os clientes.

Para um melhor funcionamento, a Al Karama também optou por começar a contratar pessoas que estejam cursando o terceiro grau em vez de indivíduos formados, já que os primeiros têm uma formação universitária inferior, mas também têm menos probabilidades de se sentirem insatisfeitos com um salário que não supera os 320 euros.

Samudi indicou que, com os novos resultados, a cooperação internacional do desenvolvimento e outros doadores estrangeiros voltam a recuperar a confiança nas associações de microcrédito, o que permite que elas cresçam novamente e, desta vez, de forma sustentável.

Em um país com fortes desigualdades sociais, os microcréditos têm muito caminho a percorrer para liberar empréstimos às camadas mais desfavorecidas da sociedade, excluídas do sistema bancário por não poderem apresentar as garantias necessárias.

Por sua parte, o diretor de desenvolvimento da FBPM, Mustafa Aguza, estimou que atualmente no Marrocos há "entre quatro e oito milhões de pessoas que precisam de microcréditos para financiar atividades geradoras de renda".

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