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Mais de 200 migrantes detidos no mar são autorizados a desembarcar na Itália

Nesta terça-feira à noite, um dos navios, o Geo Barents, começou a desembarcar os mais de 200 migrantes a bordo, após receber a autorização das autoridades sanitárias italianas

Gerenciar os navios de migrantes é um primeiro teste para o novo governo de extrema-direita da Itália da primeira-ministra Giorgia Meloni (AFP/AFP Photo)

Gerenciar os navios de migrantes é um primeiro teste para o novo governo de extrema-direita da Itália da primeira-ministra Giorgia Meloni (AFP/AFP Photo)

A
AFP

8 de novembro de 2022, 20h17

Mais de 200 migrantes que esperavam a bordo de um navio, após terem suas entradas na Itália negadas pelo novo governo, foram autorizados a desembarcar nesta terça-feira, 8.

Quase 500 migrantes estão no limbo após serem resgatados no mês passado por três barcos de ONGs diferentes quando arriscavam a vida numa perigosa travessia do norte da África até a costa da Itália.

Nesta terça-feira à noite, um dos navios, o Geo Barents, começou a desembarcar os mais de 200 migrantes a bordo, após receber a autorização das autoridades sanitárias italianas.

"Recuperei minha vida!", gritou um dos migrantes ao iniciar o processo de desembarque, segundo a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF), que opera o navio.

Tanto o Geo Barents como o Humanity 1, da ONG SOS Humanity, atracaram no fim de semana no porto de Catânia, no leste da Sicília, onde desembarcaram cerca de 500 dos migrantes em situação mais vulnerável.

No entanto, as autoridades italianas proibiram a entrada de cerca de 250 migrantes e pediram aos navios que voltassem ao mar com os viajantes a bordo, uma decisão que ambos as ONG criticaram.

Um terceiro navio, o Ocean Viking, da ONG SOS Méditerranée e de bandeira norueguesa, disse nesta terça-feira que estava deixando as águas da Sicília rumo à França com 234 imigrantes a bordo, depois que seus apelos à Itália a partir de 27 de outubro ficaram sem resposta.

Gerenciar os navios de migrantes é um primeiro teste para o novo governo de extrema-direita da Itália da primeira-ministra Giorgia Meloni, que prometeu deter os milhares de viajantes ilegais que chegam à costa do país a cada ano.

No início desta terça-feira, um quarto navio desembarcou com sucesso seus 89 migrantes no Porto de Reggio Calabria.

Os migrantes a bordo do Rise Above, navio operado pelo grupo humanitário alemão Mission Lifeline, eram "quase todos menores de idade", disse uma fonte do governo à AFP.

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Escolha "discriminatória"

As ONGs consideram ilegal um decreto italiano que permite que o Geo Barents e o Humanity 1 atraquem apenas pelo tempo necessário para ajudar os migrantes com necessidades urgentes.

A SOS Méditerranée afirmou nesta terça-feira que a escolha dos migrantes autorizados a desembarcar é "seletiva e discriminatória".

A decisão da Itália de permitir que os migrantes a bordo do Geo Barents deixem o navio ocorreu depois que as tensões a bordo aumentaram, disseram as ONGs.

"É impossível lidar com essa situação, em nenhum nível", disse o chefe da missão do MSF, Juan Matías Gil, a repórteres no porto.

"[Os migrantes] percebem o que está acontecendo e sua ansiedade cresce a cada dia", acrescentou.

Na segunda-feira, os migrantes fizeram um protesto improvisado da popa do Geo Barents, segurando faixas e cantando "Ajudem-nos!".

Exaustão

Os migrantes autorizados a desembarcar do Rise Above nesta terça-feira sofriam de tontura e exaustão, disse a Mission Lifeline, enquanto seis pessoas foram evacuadas anteriormente após serem consideradas emergências médicas.

Navios fretados por organizações humanitárias regularmente resgatam migrantes de barcos superlotados que saem do norte da África e tentam atravessar para a Europa.

No entanto, seus passageiros representam apenas 14% das mais de 87 mil pessoas que desembarcaram na Itália até agora este ano, segundo o Ministério do Interior.

O ministro do Interior italiano, Matteo Piantedosi, disse na segunda-feira que o governo está agindo "de forma humana, mas firmemente baseada em nossos princípios".

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