Líbano pode suspender proibição e liberar Ghosn para viajar, diz ministro

Albert Serhan, ministro da Justiça, também informou que a esposa do ex-executivo será interrogada quando o país receber uma notificação da Interpol
Carlos Ghosn: ex-executivo fugiu do Japão, onde é investigado por supostas fraudes e corrupção (Mohamed Azakir/Reuters)
Carlos Ghosn: ex-executivo fugiu do Japão, onde é investigado por supostas fraudes e corrupção (Mohamed Azakir/Reuters)
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ReutersPublicado em 10/01/2020 às 16:32.

Beirute — O Líbano pode suspender a proibição de viagens ao ex-presidente da Nissan Carlos Ghosn caso os autos relativos ao seu caso não sejam enviados pelo Japão em 40 dias, informou em comunicado, nesta sexta-feira, o ministro interino da Justiça, Albert Serhan.

Ghosn fugiu do Japão para o Líbano, seu lar de infância, no mês passado, enquanto aguardava julgamento por acusações de subnotificação de ganhos, quebra de confiança e apropriação indébita de fundos da empresa, todas as quais ele nega.

Sua dramática fuga tem elevado as tensões entre Japão e Líbano, onde Ghosn criticou o sistema judiciário japonês em uma entrevista coletiva de duas horas na quarta-feira, levando o ministro do Japão a emitir uma rara e forte resposta pública.

O Líbano não possui um acordo de extradição com o Japão.

Em comunicado, Serhan disse que havia se encontrado com o embaixador Japonês no Líbano e reafirmado a importância do relacionamento entre os dois países.

Ele também disse que a esposa de Ghosn, Carole, será interrogada pelos promotores libaneses quando as autoridades receberem uma notificação da Interpol por ela.

"Carole estará sujeita aos mesmos procedimentos que foram feitos (com Ghosn) quando o alerta vermelho for recebido da Interpol", disse o ministro no comunicado.

Na terça-feira, promotores de Tóquio emitiram um mandado de prisão por Carole em razão de um suposto falso testemunho relacionado à acusação de apropriação indébita contra o seu marido.

Uma porta-voz de Carole disse que ela tinha, voluntariamente, voltado ao Japão há nove meses para responder aos questionamentos de promotores e estava livre para ir sem quaisquer acusações, acrescentando que o mandado era "patético".