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Leão XIV retoma tradição de carregar a cruz na Via Sacra no Coliseu

Papa conduziu cerimônia diante de milhares de fiéis e fez apelos contra guerras e abusos de poder

Papa Leão XIV: autoridade enfatiza mensagens contra guerra (Alberto PIZZOLI / AFP)

Papa Leão XIV: autoridade enfatiza mensagens contra guerra (Alberto PIZZOLI / AFP)

Publicado em 4 de abril de 2026 às 08h39.

O papa Leão XIV voltou a carregar a cruz em todas as estações da Via Sacra no Coliseu nesta Sexta-feira Santa, retomando um gesto que não era realizado desde 1994. A celebração reuniu milhares de fiéis nos arredores do monumento, um dos principais símbolos da Semana Santa na capital italiana.

De acordo com autoridades locais, mais de 30 mil pessoas acompanharam a cerimônia, marcada por mensagens contra a guerra e o abuso de poder presentes nas meditações ao longo das 14 estações.

O rito, que recorda o percurso de Jesus desde a condenação até o sepultamento, teve início dentro do Anfiteatro Flávio, tradicionalmente associado ao martírio dos primeiros cristãos. Em um ambiente de silêncio, iluminado por velas, o pontífice percorreu o interior do Coliseu enquanto eram entoadas as reflexões de cada estação.

Durante o trajeto, Leão XIV foi acompanhado por um homem e uma mulher que carregavam os círios, além de uma comitiva religiosa que incluía o vigário-geral da diocese de Roma, Baldassare Reina.

Ao sair do Coliseu, o papa seguiu até a área elevada do Fórum Romano, onde era aguardado por milhares de fiéis com velas acesas. A cerimônia foi encerrada com a bênção concedida por Leão XIV diante da cruz.

Com duração superior a uma hora, todo o percurso foi feito com o pontífice carregando a cruz de madeira, resgatando uma tradição interrompida desde o pontificado de João Paulo II.

Mensagens contra guerras e abusos de poder

Para a celebração deste ano, o papa encomendou as meditações ao frade Francesco Patton, ex-custódio da Terra Santa até junho do ano passado.

O texto, lido ao longo das estações, trouxe críticas à tirania, ao autoritarismo e aos excessos do poder político, sem mencionar países ou líderes específicos.

As orações também abordaram temas como o impacto das guerras, genocídios, o sofrimento de mulheres vítimas de tráfico, migrantes em travessias arriscadas e crianças afetadas por conflitos.

Houve ainda críticas à indústria do entretenimento e ao sensacionalismo, com menções à exposição indevida e à exploração da privacidade em busca de audiência.

A participação de Leão XIV no Coliseu marca também o retorno físico de um bispo de Roma ao local para a cerimônia, o que não ocorria desde 2022, quando problemas de saúde impediram a presença do então papa Francisco.

Ao fim do rito, o pontífice cumprimentou autoridades, incluindo o prefeito de Roma, Roberto Gualtieri, e retornou ao Vaticano, onde dará continuidade às celebrações da Semana Santa com a Vigília Pascal.

*Com informações da EFE

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