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Justiça rejeita pedido de Cristina Kirchner para afastar juíza que investiga atentado

A Câmara Federal confirmou a juíza María Eugenia Capuchetti à frente do caso pela tentativa de homicídio que Cristina sofreu há quase três meses

Cristina Kirchner: a ex-presidente havia criticado publicamente o trabalho da magistrada María Eugenia Capuchetti (Daniel Jayo/Getty Images)

Cristina Kirchner: a ex-presidente havia criticado publicamente o trabalho da magistrada María Eugenia Capuchetti (Daniel Jayo/Getty Images)

A
AFP

25 de novembro de 2022, 19h15

A Justiça da Argentina rejeitou um recurso interposto pela vice-presidente Cristina Kirchner para afastar a juíza que investiga o atentado fracassado do qual ela foi vítima em 1º de setembro, e ordenou aprofundar linhas propostas pela defesa, informou uma fonte judicial nesta sexta-feira, 25.

A Câmara Federal confirmou a juíza María Eugenia Capuchetti à frente do caso pela tentativa de homicídio que Cristina sofreu há quase três meses, quando um homem apertou o gatilho duas vezes ao apontar uma pistola muito perto de sua cabeça, sem que a arma chegasse a disparar.

Por esse ataque, do qual a ex-presidente saiu ilesa, estão presos o agressor, sua namorada e o suposto líder do grupo.

A defesa da ex-presidente havia solicitado o afastamento da magistrada ao considerar que ela omitiu o aprofundamento da investigação para determinar se houve instigadores políticos do atentado, entre outras objeções à sua imparcialidade.

O tribunal de apelações, ao confirmar a juíza, ordenou que ela "corroborasse ou descartasse" as supostas declarações do deputado Gerardo Milman, do partido opositor Juntos por el Cambio, de que ele teria conhecimento do ataque com antecedência.

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"Quando a matarem, vou estar a caminho do litoral", teria dito Milman dois dias antes do atentado, segundo uma testemunha.

A Câmara Federal também ordenou impulsionar novas medidas de provas.

Capuchetti havia decidido esta semana deixar a investigação nas mãos do promotor Carlos Rívolo para afastar os questionamentos sobre sua imparcialidade.

A ex-presidente havia criticado publicamente o trabalho da magistrada.

"Quando surgiram as primeiras provas que relacionam a política com o ataque, a juíza Capuchetti paralisou e boicotou a investigação. É evidente que o partido judicial não quer Cristina como vítima, quer ela presa ou morta", escreveu nas redes sociais.

Paralelamente, Cristina está sendo julgada por supostos atos de corrupção durante suas duas eleições presidenciais. Sobre ela pesa um pedido de condenação de 12 anos de prisão e inabilitação política.

Na terça-feira, Cristina Kirchner deve pronunciar suas palavras finais nesse julgamento. Espera-se que um veredicto seja anunciado antes do fim do ano.

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