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Itália instaura novo Parlamento após vitória da extrema-direita nas eleições

O ultradireitista Ignazio La Russa foi eleito presidente do Senado; o presidente da Câmara dos Deputados será eleito na sexta-feira

 (Cdric Lopez/Getty Images)

(Cdric Lopez/Getty Images)

A
AFP

13 de outubro de 2022, 12h49

O novo Parlamento da Itália foi instalado nesta quinta-feira, 13, após a vitória da extrema-direita nas eleições legislativas de 25 de setembro, primeiro passo para a formação do Executivo que provavelmente será liderado pela pós-fascista Giorgia Meloni

O ultradireitista Ignazio La Russa foi eleito presidente do Senado, votação em que os senadores do Força Itália, um dos partidos da coalizão vencedora, não participaram, o que mostra as fortes divisões internas.

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La Russa, que está entre os fundadores do partido pós-fascista Irmãos da Itália, recebeu 116 votos a favor (eram necessários 104), enquanto 65 ficaram em branco.

"Escolheram um patriota", reagiu Meloni.

O presidente da Câmara dos Deputados será eleito na sexta-feira, após complexas negociações entre as forças da coalizão vencedora formada pelo partido de extrema-direita Fratelli d'Italia ("Irmãos da Itália"), de Meloni, que conquistou 26% dos votos, a Liga Anti-Imigração de Matteo Salvini e a conservadora Força Itália de Silvio Berlusconi, ambas com menos de 10%, mas fundamentais para garantir a maioria.

A senadora vitalícia Liliana Segre, sobrevivente do campo de concentração nazista de Auschwitz (Polônia), foi a encarregada de presidir a sessão do Senado, com um discurso comovente durante o qual falou contra a guerra, lembrou que teve de deixar a escola em 1938 por causa das leis contra os judeus durante o fascismo e enviou saudações ao papa Francisco.

"É impossível não sentir uma espécie de vertigem ao lembrar daquela menina que em outubro de 1938 foi forçada a deixar sua carteira vazia na escola. E que hoje se encontra por um estranho destino na mesa mais prestigiosa do Senado", disse ela depois de ser aplaudida de pé.

A eleição do presidente do Senado, o segundo cargo mais importante na Itália depois do presidente da República, foi o "primeiro teste" para Meloni, alvo de pressões internas pela distribuição dos ministérios.

"Não podemos nos dar o luxo de perder tempo, a situação na Itália não é fácil", admitiu na quarta-feira Meloni, que deve enfrentar inúmeros desafios, particularmente a crise energética provocada pela guerra na Ucrânia e a alta inflação que afeta famílias e empresas.

Os novos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado se reunirão sucessivamente com o presidente da República, Sergio Mattarella, iniciando as consultas para nomear um novo chefe de governo, segundo as regras desta república parlamentar.

Ao final das consultas, Mattarella deve pedir a Meloni para formar um Executivo, com o qual ela se tornará a primeira mulher na história da Itália a ocupar o cargo de primeira-ministra.

Giorgia Meloni, de 45 anos, fez poucas aparições públicas desde sua vitória eleitoral, comunicando-se apenas pelas redes sociais. A líder pós-fascista, que não tem muita experiência de governo, tem tentado tranquilizar os mercados sobre sua capacidade de gestão.

No entanto, permanece uma incógnita o nome do futuro ministro da Economia, responsável pela terceira maior economia da zona do euro, com uma dívida que chega a 150% do PIB.

O Fundo Monetário Internacional anunciou nesta semana que a Itália deverá entrar em recessão em 2023 e que seu PIB encolherá 0,2%.