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Itália: coalizão de extrema direita é favorita nas eleições legislativas deste domingo

Giorgia Meloni, líder do Fratelli d'Italia, poderá se tornar a primeira mulher a chefiar o governo na Itália

 (Riccardo Fabi/NurPhoto/Getty Images)

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AFP

Publicado em 25 de setembro de 2022, 11h13.

Os italianos votam, neste domingo (25), em eleições legislativas, nas quais a coalizão de direita, liderada pela pós-fascista Giorgia Meloni, caminha para uma vitória histórica - um resultado que levanta preocupação por seus valores em conflito com os fundadores da União Europeia.

As seções eleitorais abriram às 7h locais (2h no horário de Brasília), mas, mesmo antes da abertura, já havia pessoas na fila, observou a AFP, em Roma. Mais de 50 milhões de pessoas são esperadas nas urnas.

As primeiras pesquisas de boca de urna serão conhecidas após o término da votação, que se encerra às 23h (18h em Brasília).

Se as pesquisas se confirmarem, Meloni, líder do Fratelli d'Italia (Irmãos da Itália), partida procedente da tradição neofascista, poderá se tornar a primeira mulher a chefiar o governo na Itália. 

Meloni, de 45 anos, tem todas as pesquisas a seu favor, e não se descarta que, nos últimos dias de campanha, tenha ampliado a vantagem entre sua legenda e seu principal adversário, o Partido Social Democrata (PD).

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A aliança de direita e extrema-direita, formada pelos Irmãos da Itália, pela Liga anti-imigração de Matteo Salvini e pela conservadora Forza Italia de Silvio Berlusconi, obteria 47,2%, segundo as últimas pesquisas de 9 de setembro.

"Jogo para ganhar, não para participar", disse Salvini quando foi votar, afirmando que vê seu partido "no pódio" após a votação.

"Estou ansioso para voltar, amanhã, ao governo deste país extraordinário", acrescentou este que foi vice-primeiro-ministro e ministro do Interior entre 2018 e 2019.

O presidente Sergio Mattarella e Enrico Letta, líder do Partido Democrata (centro-esquerda), também votaram pela manhã.

Um novo populismo

"Na Europa, temem que eu governe (...) A festa acabou. A Itália vai começar a defender seus próprios interesses nacionais", advertiu Meloni com seu conhecido tom decisivo, durante a campanha.

Giorgia Meloni, candidata da extrema direita da Itália

Giorgia Meloni, candidata da extrema direita da Itália (Riccardo Fabi/NurPhoto/Getty Images)

Apesar de Meloni ter-se distanciado de suas origens políticas e ter confirmado, em um vídeo divulgado em vários idiomas, seu compromisso com a democracia, com as liberdades e com a União Europeia, além de garantir que a direita relegou o fascismo à História, muitos temem que um novo populismo se espalhe por todo Velho Continente.

O modelo é o do nacionalista húngaro Viktor Orban, um ferrenho inimigo da imigração e favorável a medidas mais duras de acesso ao aborto.

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Já a esquerda moderada liderada por Enrico Letta, que não conseguiu uma ampla coalizão de esquerda, nem selou um acordo com o Movimento 5 Estrelas (M5E), fechou apenas uma aliança com um pequeno setor da esquerda ambientalista. As sondagens preveem-lhe menos de 25%. 

Letta confrontou Meloni, apresentando-se como o social-democrata europeísta que luta contra uma extrema-direita nacionalista.

Movimento 5 Estrelas: possível surpresa

O Movimento 5 Estrelas (M5S), que deixou de ser a primeira força política do país, há quatro anos, para ter modestos 13,2% nas pesquisas, pode, contudo, colocar em crise a hegemonia do bloco de direita.

Não se descarta uma surpresa de última hora, com a possibilidade de que, nas últimas duas semanas, os eleitores tenham mudado de ideia, ou decidido votar nesse movimento, que criou um salário cidadão para os pobres. O benefício é fundamental para o sul subdesenvolvido da península.

A polêmica lei eleitoral italiana favorece os partidos que formam coalizões, ampliando a vantagem do bloco de direita sobre seus rivais de centro-esquerda, profundamente divididos.

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Os italianos residentes no exterior, em torno de 4,8 milhões, poderão votar em oito deputados e quatro senadores, correspondentes à Europa, América do Sul, América do Norte e Central, Ásia-África e Oceania.

Com 1.535.804 pessoas com direito a voto, boa parte delas na Argentina, a América do Sul elegerá dois deputados e um senador. Segundo acordo alcançado entre as siglas da direita, o líder do partido que obtiver mais votos será aquele que deverá ocupar o cargo de primeiro-ministro.

Para muitos, será Giorgia Meloni, que, ao longo dos anos, trabalhou arduamente para construir um perfil de líder séria e popular como representante da nova direita 2.0, mais moderna, mas que não esquece seu passado ao relançar o slogan: "Deus, pátria e família".

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