Israel reabre passagens de fronteria com Gaza após anúncio de trégua com a Jihad Islâmica

A vida em Gaza estava paralisada e a única central de energia elétrica do território foi obrigada a interromper as atividades no sábado por falta de combustível, depois que Israel fechou as fronteiras
Rua deserta de Gaza em 7 de agosto de 2022 (Mohammed Abed/AFP)
Rua deserta de Gaza em 7 de agosto de 2022 (Mohammed Abed/AFP)
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AFPPublicado em 08/08/2022 às 09:26.

Caminhões com combustível entraram nesta segunda-feira (8) na Faixa de Gaza após a trégua estabelecida entre Israel e o grupo armado palestino Jihad Islâmica, anunciada depois de três dias de hostilidades que deixaram dezenas de palestinos mortos, incluindo crianças.

Caminhões-tanque entraram pela passagem de fronteira de Kerem Shalom, no sul do território palestino, que está sob bloqueio israelense há mais de 15 anos.

A vida em Gaza estava paralisada e a única central de energia elétrica do território foi obrigada a interromper as atividades no sábado por falta de combustível, depois que Israel fechou as fronteiras do enclave 362 quilômetros quadrados, onde vivem 2,3 milhões de palestinos.

As passagens de fronteira entre o Estado hebreu e a Faixa de Gaza, fechadas por Israel na terça-feira (2), reabriram nesta segunda-feira "por razões humanitárias", anunciou em um comunicado o Cogat, o serviço do ministério da Defesa de Israel que monitora as atividades civis nos territórios palestinos.

"O retorno à rotina dependerá da evolução da situação e do respeito à segurança", completa a nota.

Após o início da trégua, alcançada com a mediação do Egito - intermediário histórico entre Israel e os palestinos -, o Estado hebreu também anunciou a retomada do tráfego ferroviário e autorizou seus cidadãos que moram perto das localidades limítrofes com o território palestino a sair dos abrigos antiaéreos.

Medicamentos e energia elétrica

O acordo entrou em vigor no fim do domingo, mas Israel e a Jihad Islâmica se reservaram o direito de responder em caso de futuras agressões.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, elogiou a trégua e agradeceu ao colega egípcio Abdel Fattah Al Sisi pelo papel de seu país como mediador. Biden também pediu uma investigação sobre as circunstâncias das mortes de vítimas civis, que chamou de "tragédia".

O enviado da ONU para o Oriente Médio, Tor Wennesland, celebrou o acordo, mas recordou em uma mensagem no Twitter que "a situação continua sendo muito frágil".

O acordo de trégua inclui "o compromisso do Egito de atuar a favor da libertação de dois prisioneiros" da Jihad Islâmica detidos por Israel, afirmou o grupo palestino.

Dezessete palestinos, incluindo nove crianças, morreram no domingo em ataques israelenses, informou o ministério da Saúde de Gaza.

Desde sexta-feira, "44 palestinos caíram como mártires, incluindo 15 crianças, e 360 ficaram feridos", afirma o boletim mais recente divulgado pelo ministério do território, governado pelo grupo islamita Hamas.

Em Israel, três pessoas ficaram feridas por disparos de foguetes desde sexta-feira. O exército afirmou que centenas de projéteis foram lançados contra o país a partir de Gaza, mas a grande maioria foi interceptada.

As autoridades israelenses afirmaram que alguns palestinos faleceram durante tentativas frustradas de lançamentos de foguetes por parte da Jihad Islâmica contra o território do Estado hebreu.

Em Gaza, o diretor do hospital Shifa afirmou que o estabelecimento precisa de medicamentos e energia elétrica em caráter de urgência.

Ataque preventivo

Israel apresentou os primeiros ataques de sexta-feira como uma operação "preventiva" contra a Jihad Islâmica, que, segundo o governo, estava planejando um atentado iminente.

Em resposta aos bombardeios, o grupo armado, apoiado pelo Irã e incluído nas listas de organizações terroristas dos Estados Unidos e da União Europeia, disparou centenas de foguetes contra Israel.

Os principais comandantes militares da Jihad Islâmica em Gaza, Taysir al Jabari e Khaled Mansur, morreram, assim como diversos combatentes do grupo.

Israel também prendeu 40 integrantes do grupo armado nos últimos dias na Cisjordânia ocupada.

Este confronto foi o mais violento no território desde o conflito de maio de 2021 entre Israel e o Hamas - movimento islamita que governa Gaza desde 2007.

Na guerra de 11 dias do ano passado, o balanço de mortos foi de 260 palestinos, incluindo combatentes, e 14 israelenses, entre eles um soldado.

O Hamas, que já travou diversas guerras contra Israel, permaneceu à margem das hostilidades do fim de semana.