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Israel mira capital do Irã e petróleo dispara no 35º dia de guerra

Após 35 dias de conflito, bombardeios atingem alvos estratégicos na capital iraniana, enquanto retaliação do Irã ameaça o Golfo Pérsico e o fornecimento global de petróleo

Guerra no Oriente Médio: conflito chega a 35 dias  (FADEL itani / AFP/Getty Images)

Guerra no Oriente Médio: conflito chega a 35 dias (FADEL itani / AFP/Getty Images)

Publicado em 3 de abril de 2026 às 14h41.

As Forças de Defesa de Israel confirmaram, nesta sexta-feira, 3, o início de uma ofensiva em larga escala contra a infraestrutura do Irã em Teerã. A ação ocorre após 35 dias de conflito e marca a ampliação direta das hostilidades para o território iraniano.

Segundo comunicado oficial, a operação foi conduzida simultaneamente a bombardeios em Beirute, ampliando o caráter multifrontal da guerra. O Exército israelense afirmou que os ataques têm como alvo estruturas estratégicas do regime iraniano.

Centro de poder iraniano sob ataque

A ofensiva, chamada de Operação Roaring Lion, atingiu bases do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, centros de comando e instalações de produção de mísseis balísticos e defesa aérea.

Cerca de 15 complexos ligados ao Ministério da Defesa do Irã foram atingidos. Entre os locais danificados estão o aeroporto de Mehrabad e a antiga embaixada dos Estados Unidos, atualmente utilizada pela milícia Basij.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que a ofensiva comprometeu aproximadamente 70% da capacidade de produção de aço do país, com impacto direto na fabricação de armamentos.

Escalada no Líbano e crise humanitária

No Líbano, ataques aéreos atingiram áreas de Beirute, incluindo bairros residenciais e posições do Hezbollah. No sul do país, Israel mantém uma ofensiva terrestre para estabelecer uma zona de segurança ao sul do Rio Litani.

O conflito já deixou mais de 1.300 mortos no país e provocou o deslocamento de mais de 1 milhão de pessoas, cerca de 20% da população libanesa.

Retaliação e impacto no petróleo

O Irã respondeu com o lançamento de mísseis balísticos contra Israel, acionando alertas em Tel Aviv. O regime também atingiu alvos ligados aos Estados Unidos no Golfo Pérsico, com alertas registrados no Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos.

Drones iranianos atingiram a refinaria de Mina al-Ahmadi e uma usina de dessalinização no Kuwait. Os Emirados informaram a interceptação de dezenas de projéteis.

Com o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo, o preço do barril ultrapassou US$ 100. Às 14h40, no horário de Brasília, a commodity era cotada em US$ 109, em alta de 8%.

Pressão diplomática e saldo

O conflito, iniciado em 28 de fevereiro, acumula mais de 3.200 mortos e 4,5 milhões de deslocados na região.

Nos Estados Unidos, o governo de Donald Trump solicitou ao Congresso um orçamento adicional de US$ 1,5 trilhão para defesa. Washington ameaçou atacar infraestrutura iraniana caso não haja cessar-fogo.

O avanço da guerra afetou atividades civis e religiosas. Igrejas nos Emirados Árabes Unidos fecharam no domingo de Páscoa, enquanto celebrações foram suspensas em áreas afetadas no Irã e no Líbano.

A escalada consolida um cenário de conflito regional ampliado, com impacto direto sobre segurança energética e estabilidade global.

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