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Israel e Líbano falam em negociar cessar-fogo após pressão de Trump

Beirute passou as últimas 24 horas defendendo um cessar-fogo temporário para permitir negociações mais amplas com Tel Aviv, que exige o desarmamento do Hezbollah

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 9 de abril de 2026 às 14h51.

Última atualização em 9 de abril de 2026 às 14h52.

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Após o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarar que iria "agir com toda a força" no Líbano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entrou em contato com o líder israelense e solicitou a redução das ofensivas para preservar o avanço do acordo de cessar-fogo com o Irã, que tem indicado uma relativa estabilidade no Golfo Pérsico ao longo das últimas 24 horas.

Embora autoridades de Washington e Tel Aviv insistam que o Líbano não faça parte do acordo, Israel aceitou “ser um parceiro cooperativo”, informou a NBC News.

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De acordo com o presidente iraniano Masoud Pezeshkian, a Guarda Revolucionária demonstrou desconfiança em relação à trégua e afirmou estar com o "dedo no gatilho" na quarta-feira. Na mesma data, ataques conduzidos por Israel resultaram em mais de 200 mortes no Líbano e levaram ao bloqueio do Estreito de Ormuz, rota por onde circula cerca de 20% do petróleo global.

Após reiterar que operações contra o Hezbollah, organização aliada ao regime iraniano, continuariam “sempre que for necessário”, Netanyahu declarou, nesta quinta-feira, ter orientado seu gabinete a iniciar conversas diretas com o Líbano “o mais rápido possível”, após apelos vindos de Beirute.

"As negociações se concentrarão no desarmamento do Hezbollah e no estabelecimento de relações pacíficas entre Israel e o Líbano", afirmou Netanyahu.

Um exemplo do "dedo no gatilho", expressão utilizada pela Guarda Revolucionária, ocorreu na quarta-feira, quando a circulação foi interrompida após bombardeios israelenses no Líbano, que deixaram mais de 200 mortos.

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Negociações com o Líbano

O Líbano passou as últimas 24 horas defendendo um cessar-fogo temporário para permitir negociações mais amplas com Israel, disse à agência Reuters um representante do governo libanês.

Segundo o porta-voz, que o processo seria uma "via separada, mas com o mesmo modelo" de uma trégua frágil intermediada pelo Paquistão entre os Estados Unidos e o Irã.

O funcionário disse que nenhuma data ou local havia sido definido ainda, mas que o Líbano precisava dos EUA como mediador e garantidor de qualquer acordo.

Sem ataques do Irã

Nos países vizinhos ao Irã, localizados no Golfo, não houve registros de ataques com mísseis ou drones provenientes de Teerã nas últimas 24 horas, sinalizando a consolidação do cessar-fogo.

No dia anterior, primeiro após o anúncio de uma trégua de duas semanas, foram registradas diversas tentativas de ataque do Irã contra Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Arábia Saudita e outras nações da região.

Os Emirados Árabes Unidos informaram ter interceptado 17 mísseis balísticos e 35 drones disparados pelo Irã na quarta-feira, segundo comunicado do Ministério da Defesa local, elevando os números totais do conflito para 537 mísseis e 2.256 drones. Às 7h da manhã (horário da costa leste dos EUA) desta quinta-feira, entretanto, já haviam transcorrido 21 horas desde o último registro de ataque, mais tarde com confirmação de ausência de novas ofensivas.

No mesmo horário, a Arábia Saudita também acumulava cerca de 19 horas sem notificações de ataques. Kuwait e Bahrein não registravam movimentações de mísseis ou drones havia mais de 20 horas. No Catar, o último alerta sobre projéteis havia sido emitido cerca de 18 horas antes.

As forças armadas de Israel também não identificaram lançamentos de mísseis ou drones iranianos contra o território israelense desde as 3h da manhã, horário local, do dia 8 de abril. Ainda assim, Teerã ameaça abandonar as negociações com os Estados Unidos previstas para o fim de semana, diante das ações militares israelenses contra o Hezbollah no Líbano. Israel declarou apoio ao cessar-fogo promovido pelos EUA em relação às ofensivas contra o Irã.

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