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Iraque denuncia 'escalada irresponsável' após ataques dos EUA contra grupos pró-Irã

Bombardeios ocorrem em um contexto regional explosivo, após o início da guerra na Faixa de Gaza

Iraque: os bombardeios tiveram como alvo as Brigadas do Hezbollah, uma facção afiliada ao antigo grupo paramilitar Hashd al-Shaabi (Divulgação/Site Exame)

Iraque: os bombardeios tiveram como alvo as Brigadas do Hezbollah, uma facção afiliada ao antigo grupo paramilitar Hashd al-Shaabi (Divulgação/Site Exame)

Agência o Globo
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Agência de notícias

Publicado em 24 de janeiro de 2024 às 11h42.

O Iraque denunciou nesta quarta-feira uma "escalada irresponsável" das hostilidades após bombardeios dos Estados Unidos contra grupos armados pró-Irã em seu território, lançados em resposta aos recorrentes ataques sofridos por soldados americanos nesse país.

Os bombardeios tiveram como alvo as Brigadas do Hezbollah, uma facção afiliada ao antigo grupo paramilitar Hashd al-Shaabi, no setor Khurf al-Sakhr, cerca de 60 km ao sul de Bagdá, disseram fontes iraquianas.

A região de al-Qaim, na fronteira com a Síria, também foi bombardeada, registrando um morto e vários feridos, segundo um comunicado do Hashd al-Shaabi, cujos homens estão atualmente integrados às forças de segurança iraquianas. Anteriormente, um funcionário do Ministério do Interior iraquiano e uma fonte do grupo paramilitar Hashd haviam dito à AFP que havia dois mortos e dois feridos.

Os ataques americanos ocorrem em um contexto regional explosivo, após o início da guerra na Faixa de Gaza entre Israel, aliado de Washington, e o movimento islâmico palestino Hamas, apoiado pelo Irã, que respalda grupos armados iraquianos. Diante deste cenário, um porta-voz militar do primeiro-ministro iraquiano, Mohamed Shia al-Sudani, repudiou os bombardeios americanos.

"Este ato inaceitável mina anos de cooperação" e "leva a uma escalada irresponsável, justamente quando a região corre o risco de uma ampliação do conflito", disse o general Yehia Rasul, porta-voz do primeiro-ministro, em um comunicado.

Anteriormente, o conselheiro de Segurança Nacional iraquiano, Qassem al-Aaraji, apelou aos Estados Unidos a "pressionarem pelo fim da agressão em Gaza, em vez de atacarem e bombardearem as instalações de uma instituição nacional iraquiana".

O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, confirmou em um comunicado que Washington realizou "bombardeios necessários e proporcionais" contra "três instalações utilizadas pelas Brigadas do Hezbollah", mas também "outros grupos afiliados ao Irã no Iraque".

Estes bombardeios, explicou Lloyd, representam uma "resposta direta" a uma série de ataques lançados por "milícias apoiadas pelo Irã" contra os militares dos EUA e as tropas da coalizão antijihadista internacional no Iraque e na Síria.

'Não queremos uma escalada'

O Comando Militar dos EUA no Oriente Médio (Centcom) afirmou que os bombardeios tiveram como alvo locais e armazéns utilizados pelas Brigadas do Hezbollah, além de bases de treinamento de "foguetes, mísseis e drones".

— Não queremos uma escalada do conflito na região — disse Austin, que alertou que os Estados Unidos estão "totalmente prontos para tomar medidas adicionais para proteger" seu pessoal.

Desde meados de outubro, mais de 150 ataques com drones ou foguetes tiveram como alvo soldados americanos e da coalizão internacional no Iraque e na Síria para combater o grupo Estado Islâmico (EI). Esses ataques foram reivindicados pela "Resistência Islâmica no Iraque", um grupo de combatentes pró-Irã.

As Brigadas do Hezbollah, classificadas como terroristas por Washington e sujeitas a sanções, têm sido alvo de bombardeios nas últimas semanas. O grupo tornou pública sua participação e apoio às ações da "Resistência Islâmica".

Na noite de terça-feira, vários "drones de ataque" foram lançados contra tropas da coalizão internacional na base de Ain al-Assad, no oeste do Iraque, deixando "feridos e danos", segundo um oficial militar americano.

A situação obriga o primeiro-ministro iraquiano, Mohamed Shia al-Sudani, a manter um equilíbrio delicado. Levado ao poder por uma coalizão de partidos pró-Irã, ele também tenta preservar os laços estratégicos entre Bagdá e Washington.

Os Estados Unidos têm 2.500 soldados no Iraque e 900 na Síria no âmbito da coalizão internacional antijihadista, criada em 2014 para combater o EI.

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