Donald Trump, presidente dos EUA, em entrevista coletiva na Casa Branca (Saul Loeb/AFP)
Repórter de internacional e economia
Publicado em 6 de abril de 2026 às 14h21.
Última atualização em 6 de abril de 2026 às 17h56.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã nesta segunda-feira, 6, durante uma entrevista coletiva na Casa Branca, e reafirmou que os americanos poderão destruir usinas de energia caso não haja acordo.
"Estamos indo inacreditavelmente bem, em um nível que ninguém nunca viu antes. O país inteiro poderia ser tomado em uma noite, e esta noite pode ser amanhã", disse, em uma fala inicial.
No domingo, Trump disse que ordenaria ataques contra as usinas elétricas e pontes do Irã, a menos que Teerã aceitasse até a noite de terça-feira, 7, permitir o livre trânsito da navegação pelo Estreito de Ormuz.
Na coletiva desta segunda, Trump reiterou a ameaça de destruir a infraestrutura iraniana e prometeu fazer isso em poucas horas.
"Todas as pontes e usinas de energia do Irã estarão dizimadas até meia-noite de amanhã. Todas estarão fora de operação, queimadas e explodidas e nunca serão usadas de novo. Isso vai acontecer em um período de quatro horas, se quisermos", disse.
No entanto, ele deixou a porta aberta para um acordo e disse que o cenário pode mudar se o Irã fizer concessões. "Temos participantes muito ativos do outro lado, eles gostariam de fazer um acordo. Não posso falar mais do que isso", disse, ao ser perguntado sobre a possibilidade de um cessar-fogo.
Em seguida, Trump disse que não quer destruir as coisas. "Deus não gosta do que está acontecendo. Eu não gosto de ver pessoas sendo mortas", afirmou.
O americano disse, ainda, que não está "preocupado" com a possibilidade de os Estados Unidos cometerem crimes de guerra caso ataquem instalações energéticas iranianas. Esse tipo de ataque é vetado pela Convenção de Genebra, que regula a atuação em guerras.
"Não estou preocupado com isso. O que é crime de guerra é permitir que um país doente, com líderes dementes, possua uma arma nuclear", disse o presidente.
Mais cedo, durante um evento de Páscoa, Trump havia dito que os Estados Unidos analisaram uma proposta de cessar-fogo de 45 dias na guerra com o Irã, uma medida que ele classificou como "um passo muito significativo" no conflito.
"Não é suficiente, mas é um passo muito significativo", disse Trump a repórteres na Casa Branca, acrescentando que os mediadores "estão negociando agora".
O Irã rejeitou uma proposta de trégua em sua guerra com os Estados Unidos e Israel, insistindo "na necessidade de um fim definitivo para o conflito", informou a agência de notícias estatal Irna nesta segunda-feira.
"Podemos continuar a guerra enquanto as autoridades políticas considerarem oportuno", disse Mohammad Akraminia, porta-voz do Exército iraniano, à agência de notícias Isna.
A Guerra de Israel e Estados Unidos contra o Irã já dura 38 dias. Os ataques começaram na madrugada de 28 de fevereiro, um sábado, com a expectativa de derrubar o regime dos aiatolás e acabar com a capacidade militar e nuclear do Irã.
Trump esperava um desfecho rápido, como ocorreu na Venezuela em janeiro, mas a história foi outra. Mesmo com a morte do líder supremo, Ali Khamenei, além de várias autoridades, o regime não caiu e continuou capaz de fazer ataques a vários países da região, como os Emirados Árabes Unidos e o Qatar.
Além disso, o Irã conseguiu bloquear o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da produção global de petróleo, o que levou o barril de petróleo a superar US$ 100. Antes, o preço estava no patamar de US$ 60.

Para Trump, a guerra trouxe efeitos negativos na política interna. Pesquisa do Pew Research Center aponta que 61% dos americanos desaprovam a atuação do presidente na guerra, enquanto 37% aprovam, e 45% dizem que os militares americanos não estão indo bem no conflito.
Sua popularidade também caiu para 40% de aprovação, o menor nível desde o começo do mandato.
Outro efeito de peso contra Trump foi a alta dos combustíveis, que subiram nas bombas americanas e pressionam a inflação no país. O governo fez uma série de ações para baixar os preços, mas ainda não colheu resultados. Na semana passada, o preço médio da gasolina no país superou US$ 4 por galão, o maior valor em quatro anos.
Com AFP.