Repórter
Publicado em 12 de março de 2026 às 16h56.
A inflação na Argentina chegou a 2,9% em fevereiro, com sinal de estabilidade em relação a janeiro, mantendo o maior patamar em quase um ano. O dado foi divulgado pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), divulgado na tarde esta quinta-feira, 12, pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec).
Além disso, o índice acumulado em 12 meses até fevereiro chegou a 33,1%, acima dos 32,4% registrados no mês anterior.
Segundo o Indec, o indicador de inflação também registrou melhora no comportamento mensal durante 2024, quando começou o governo do presidente Javier Milei.
Entretanto, a inflação subjacente, que exclui preços regulamentados e sazonais, ficou 0,2% acima da taxa de inflação geral e atingiu 3,1%, registrando aceleração em relação aos 2,6% de janeiro.
Assim, o índice permanece longe de cair abaixo do patamar mensal de 2%, fundamental para a retomada da desinflação almejada por Milei.
Os resultados surgem em meio à disparada dos preços do petróleo, por causa do conflito no Irã e em outros países do Oriente Médio, que deve impactar o IPC de março.
Enquanto isso, a inflação nacional foi superior ao índice da cidade de Buenos Aires, publicado pelo Instituto de Estatística e Censos da Cidade de Buenos Aires, com um aumento de 2,6%, inferior aos 3,1% registrados em janeiro.
Segundo o Indec, o segmento com maior aumento mensal em fevereiro foi o de Habitação, Água, Energia Elétrica, Gás e Outros Combustíveis (6,8%), seguido por Alimentos e Bebidas Não Alcoólicas e Bens e Serviços Diversos (ambos com 3,3%).
Acima do nível geral ficou o segmento de Restaurantes e Hotéis, com 3%. Abaixo de 2,9% estavam os seguintes itens: Equipamentos e Manutenção Doméstica (2,6%), Saúde (2,5%), Recreação e Cultura (2,3%), Transporte (2%), Comunicação (1,8%), Educação (1,2%) e Bebidas Alcoólicas e Tabaco (0,6%). Vestuário e Calçados não apresentaram variação em relação a janeiro, segundo o relatório oficial.
Apesar da aceleração da inflação nos últimos nove meses, o presidente Javier Milei assegurou em diversos discursos e entrevistas que, em agosto deste ano, "a inflação começará em zero", ou seja, será praticamente nula, segundo o jornal argentino Clarín.
Além disso, em fevereiro (quando foram divulgados os números da inflação de janeiro), o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) esteve envolvido na polêmica saída de Marco Lavagna do órgão, após o governo decidir não utilizar a nova metodologia, que vinha sendo desenvolvida desde 2017.
Agora, o novo chefe, Pedro Lines, começou a analisar diferentes alternativas para atualizar o indicador e abandonar a metodologia atual, que já está defasada em 20 anos e é contestada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).