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Impasse entre Arábia Saudita e Emirados agrava crise na Opep+

A disputa cada vez mais pessoal entre os dois principais produtores se tornou pública no domingo. Os dois países, que normalmente mantêm as divergências dentro dos palácios reais, expuseram suas diferenças

Cresce a tensão entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos diante do impasse nas negociações da Opep. Com a atípica disputa diplomática entre antigos aliados, o mercado global tenta adivinhar quanto petróleo será produzido no mês que vem.

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O confronto já obrigou a Opep+ a suspender as negociações duas vezes. A próxima reunião está marcada para esta segunda-feira e coloca os mercados no limbo enquanto o petróleo continua sua alta inflacionária acima de US$ 75 o barril. O cartel avalia a política de produção não apenas para o resto do ano, mas também até 2022, e a solução para o impasse moldará o mercado e o setor no próximo ano.

A disputa cada vez mais pessoal entre os dois principais produtores se tornou pública no domingo. Os dois países, que normalmente mantêm as divergências dentro dos palácios reais, expuseram suas diferenças.

O governo de Riade insiste em seu plano, que é apoiado por outros membros da Opep+ como a Rússia, para que o grupo aumente a produção nos próximos meses, mas também estenda o pacto até o final de 2022 por uma questão de estabilidade.

“Temos que estender”, disse o ministro de Energia da Arábia Saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, em entrevista à Bloomberg Television na noite de domingo. “A extensão coloca muitas pessoas em sua zona de conforto.”

Em uma indicação da gravidade da disputa diplomática, o príncipe Abdulaziz sinalizou que o governo de Abu Dhabi está isolado na aliança Opep+. “É o grupo todo contra um país, o que é triste para mim, mas essa é a realidade.”

Horas antes, seu homólogo dos Emirados, Suhail al-Mazrouei, rejeitou novamente uma extensão do acordo. Ele apoia apenas um aumento no curto prazo e exige melhores condições ao país para 2022.

“Os Emirados Árabes Unidos desejam um aumento incondicional da produção, que o mercado exige”, disse Al-Mazrouei à Bloomberg Television no domingo. No entanto, a decisão de estender o acordo até o final de 2022 é “desnecessária agora”, afirmou.

O governo de Abu Dhabi coloca seus aliados em uma posição difícil: aceitar seus pedidos ou arriscar desfazer a aliança Opep+. O fracasso em chegar a um acordo pressionaria um mercado já apertado, potencialmente elevando muito os preços do petróleo.

Mas um cenário mais dramático também está em jogo: a unidade da Opep+ pode ruir completamente, arriscando um vale tudo que derrubaria os preços em uma repetição da crise do ano passado. Naquela época, foi um desacordo entre a Arábia Saudita e a Rússia que desencadeou uma guerra de preços punitiva.

Meses depois de uma trégua na guerra de preços, os Emirados Árabes Unidos agitaram o mercado novamente ao cogitar a ideia de sair do cartel. Não repetiu a ameaça esta semana, mas, quando questionado se os Emirados Árabes Unidos podem sair, o príncipe saudita apenas disse: “Espero que não.”

O príncipe Abdulaziz disse que, sem uma extensão do acordo, há um pacto alternativo em vigor - segundo o qual a produção de petróleo não aumentaria em agosto e no resto do ano, o que arrisca um avanço inflacionário da cotação do petróleo. Perguntado se eles poderiam aumentar a produção sem os Emirados Árabes Unidos a bordo, o príncipe Abdulaziz respondeu: “Não podemos”.

A Opep+ deve realizar nova reunião virtual nesta segunda-feira às 15h, horário de Viena, embora o príncipe Abdulaziz tenha sugerido que não é algo 100% garantido. Ele não comentou sobre as chances de um acordo, dizendo que trabalharia muito para chegar a um consenso. “Amanhã é outro dia.”

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