Repórter
Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 10h15.
Uma divisão do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) participará das operações de segurança dos Jogos Olímpicos de Inverno, que serão realizados em Milão e Cortina d’Ampezzo entre 6 e 22 de fevereiro.
Segundo comunicado oficial, o Homeland Security Investigations (HSI), braço investigativo do ICE, atuará em apoio ao Serviço de Segurança Diplomática (DSS) do Departamento de Estado dos EUA e às autoridades italianas, com foco na identificação e mitigação de riscos ligados a organizações criminosas transnacionais.
A agência ressaltou que todas as operações permanecerão sob autoridade italiana e afirmou que o ICE não realizará ações de controle migratório em território estrangeiro, negando relação com a atual política migratória do governo do presidente Donald Trump.
O anúncio gerou forte reação de autoridades locais. O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, afirmou que os agentes do ICE “não são bem-vindos” à cidade, ao criticar o histórico recente da agência em operações migratórias nos Estados Unidos.
“Esta é uma milícia que mata. Está claro que não são bem-vindos a Milão”, disse Sala em entrevista à rádio RTL 102.5, em referência às mortes de civis americanos durante ações do ICE em Minneapolis.
No Parlamento Europeu, o eurodeputado Alessandro Zan, do Partido Democrático, classificou a presença do ICE como “inaceitável” e afirmou que a Itália não deve acolher instituições que “pisam nos direitos humanos”.
Contexto de tensão nos EUA
A controvérsia ocorre em meio à intensificação das operações anti-imigração nos Estados Unidos, conduzidas pelo governo Trump. As ações recentes do ICE desencadearam protestos e ampliaram a pressão política após as mortes de Renée Good e Alex Pretti, ambos baleados em intervenções de agentes federais em Minneapolis.
O HSI, embora integrado ao ICE, atua formalmente no combate a crimes como tráfico de drogas, armas, pessoas e crimes cibernéticos, além da proteção de cidadãos americanos no exterior.
Governo italiano tenta reduzir impacto
Autoridades italianas inicialmente negaram a presença do ICE e, depois, buscaram minimizar seu papel. O ministro do Interior, Matteo Piantedosi, afirmou que o ICE “não vai operar na Itália” e que qualquer eventual presença seria apenas funcional, não operacional.
O presidente da região da Lombardia, Attilio Fontana, declarou que a atuação americana se limitaria à segurança do vice-presidente dos EUA, JD Vance, e do secretário de Estado, Marco Rubio, que devem participar da cerimônia de abertura dos Jogos. Posteriormente, o gabinete de Fontana esclareceu que a declaração foi feita em resposta a uma hipótese, sem confirmação oficial sobre agentes em solo italiano.
*Com informações da AFP