Repórter
Publicado em 17 de junho de 2026 às 08h36.
A Agência Internacional de Energia (AIE) voltou a reduzir sua previsão para a demanda global de petróleo em 2026 e alertou que os efeitos da guerra no Oriente Médio continuarão pressionando o mercado, mesmo após o acordo anunciado entre Estados Unidos e Irã.
Segundo o relatório mensal divulgado nesta quarta-feira, a demanda mundial deve recuar 1,1 milhão de barris por dia (mbpd) em 2026. A redução é quase três vezes maior do que a projetada no mês passado, quando a agência ainda considerava uma normalização mais rápida do mercado.
De acordo com a AIE, as entregas globais de petróleo no segundo trimestre de 2026 caíram quase 5% na comparação anual, refletindo o aumento dos preços dos combustíveis e os problemas de abastecimento provocados pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.
A agência destaca que essa seria a primeira queda trimestral da demanda desde 2020.
Apesar da desaceleração do consumo, os estoques globais continuam diminuindo em ritmo acelerado. Nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), as reservas atingiram o menor nível desde 1990, com redução de 163 milhões de barris.
Ao mesmo tempo, a oferta global também segue pressionada. Em maio, a produção mundial caiu para 94,5 milhões de barris por dia, volume 12,5% inferior ao registrado antes do início da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Como resultado, as reservas mundiais encolheram quase 220 milhões de barris entre abril e maio.
Segundo a AIE, novas quedas nos próximos meses podem levar os estoques globais a níveis historicamente baixos antes que o mercado volte a apresentar excedente no fim do ano.
A agência reconheceu que o entendimento alcançado entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito e reabrir o Estreito de Ormuz cria condições para uma retomada gradual das exportações de petróleo do Oriente Médio.
Ainda assim, o organismo avalia que persistem limitações operacionais e políticas capazes de restringir uma recuperação mais rápida do setor.
Para conter os efeitos da crise, os 32 países-membros da AIE anunciaram em março a liberação coordenada de 426 milhões de barris de suas reservas estratégicas, medida considerada inédita pela agência.
O diretor da AIE, Fatih Birol, defendeu uma reabertura total e sem restrições do Estreito de Ormuz e afirmou que a crise já provocou mudanças estruturais na política energética de diversos países.
Segundo ele, governos ao redor do mundo passaram a revisar estratégias, fornecedores e opções de segurança energética após os impactos do conflito.
Para 2027, a agência projeta uma recuperação moderada da demanda, com crescimento de cerca de 2 milhões de barris por dia. A oferta, porém, deve avançar em ritmo mais forte, com expansão estimada em 8 milhões de barris diários.
Na avaliação da AIE, esse cenário poderá trazer alívio ao mercado internacional de petróleo e abrir espaço para a recomposição dos estoques globais.
*Com AFP