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Guerra na Ucrânia fez essa empresa checa a lucrar mais de R$ 40 bi

Michal Strnad, de 33 anos, viu um crescimento astronômico de sua empresa de defesa nos últimos anos, rapidamente se tornando o homem mais rico de seu país – e Strnad ainda tem suas ambições

Mercados: ações europeias acumulam perdas com guerra no Irã.

Mercados: ações europeias acumulam perdas com guerra no Irã.

Publicado em 11 de abril de 2026 às 08h00.

Michal Strnad tem 33 anos e é chefe executivo e proprietário majoritário do Czechoslovak Group (CSG), fabricante de armas e equipamentos de defesa. Strnad assumiu as rédeas do grupo de seu pai, Jaroslav, em 2016, ao se formar no ensino médio. Desde então, o CSG, originalmente privado, mas tornado público em janeiro, não para de crescer.

Atualmente, o grupo emprega cerca de 14.000 funcionários e opera mais de 30 fábricas em todo o mundo. Ano passado, o lucro foi de 6,7 bilhões de euros (quase 40 bilhões de reais) – 12 vezes o valor de 2021 –, dos quais 80%  decorrem de vendas para a defesa de países, o que colocou o CSG entre os 10 maiores produtores de armamento da Europa. Quando o assunto é produção de munições, é o segundo maior nome do continente, atrás apenas da alemã Rheinmetall.

A força motriz do crescimento da empresa é o conflito na Ucrânia. O CSG vende armamentos e munições diretamente para o país, que representou 27% das vendas totais do grupo no ano passado. Além disso, vende munições em toda a Europa, que busca repor seus estoques.

Nesse setor, uma série de aquisições recentes impulsionou ainda mais seu crescimento, com o CSG adquirindo uma participação majoritária na empresa italiana de munições pequenas Fiocchi, em 2022, e comprando totalmente o americano Kinetic Group, do mesmo setor, em 2024.

Mês passado, o grupo anunciou que compraria 49% da empresa austríaca Hirtenberger Defence Systems, que produz projéteis pesados, como os de morteiro. E Strnad planeja continuar as compras, dizendo que “a hora para a consolidação da defesa é agora.”

Ambição, vantagens e portfólio

O diretor do grupo revelou suas ambições para a revista britânica The Economist, afirmando que almeja tornar-se o maior produtor de armamentos da Europa.

Em dezembro, assinou um contrato com a Eslováquia, país vizinho, no valor de 58 bilhões de euros (cerca de 340 bilhões de reais) para fornecer munição a membros da União Europeia, como parte de uma iniciativa armamentista do bloco. Por mais que a Europa represente até 75% das vendas do grupo, Strnad também almeja aprofundar suas operações nos EUA, comparativamente envolvido em mais operações armadas, que representam a maior parte do resto dos compradores.

Entre as vantagens do CSG está o fato de que salários nos países anfitriões de muitas de suas fábricas, como a própria República Checa e a Eslováquia, são consideravelmente mais baixos do que no resto da Europa ou do Ocidente. O grupo também opera em um sistema de integração vertical, o que significa que exerce controle direto sobre a maioria das etapas de produção, reduzindo a necessidade de terceiros ou atores independentes em suas cadeias produtivas.

Enquanto isso, Strnad busca também diversificar seu portfólio em casa: O CSG se tornou o patrocinador principal da equipe olímpica checa e também comprou um time de futebol, Viktoria Plzen, rival do AC Sparta Praha, maior equipe do país.

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