Governadores nos EUA processam Biden por obrigatoriedade de vacinação

O governo federal do presidente Joe Biden anunciou regra, a partir de 4 de janeiro, que obrigará trabalhadores de empresas de mais de 100 funcionários a se vacinarem ou serem testados regularmente
 (Al Drago/Bloomberg/Getty Images)
(Al Drago/Bloomberg/Getty Images)
Por Carolina RiveiraPublicado em 05/11/2021 06:00 | Última atualização em 05/11/2021 00:29Tempo de Leitura: 4 min de leitura

O debate sobre os passaportes de vacinação e restrições aos não vacinados segue controverso nos Estados Unidos. Um dia depois de o presidente Joe Biden anunciar que grandes empresas terão de exigir vacinação de funcionários, um grupo de governadores de estados conservadores anunciou que vai entrar com um processo contra o governo federal.

Governadores de estados como Wyoming e Idaho afirmaram que vão processar o governo federal nesta sexta-feira, 5. Ohio, Kentucky e Tennessee já abriram processos na quinta-feira, 4, mesmo dia em que o governo Biden anunciou os detalhes do plano de vacinação.

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O tema pode ir parar na Suprema Corte, porque governos de oposição afirmam que a medida é "inconstitucional". Um dos principais argumentos contrários é que não caberia ao governo federal implementar tais regras, dentro do modelo de alta independência estadual nos EUA.

"Não podemos permitir que os direitos dos cidadãos do Wyoming e suas indústrias sejam pisoteados por um excesso federal", disse Mark Gordon, governador de Wyoming, onde só 44% da população se vacinou.

Biden havia anunciado ainda em setembro medidas para ampliar a vacinação, mas sem maiores detalhes. Nesta quinta-feira, no entanto, a Casa Branca divulgou um plano em que exigirá que milhões de trabalhadores nas maiores empresas dos Estados Unidos sejam completamente vacinados.

Do contrário, terão de passar por testagem regular contra a covid-19 para garantir que não estejam infectados nos escritórios. Os funcionários não vacinados também serão obrigados a usar máscara para garantir a segurança dos demais.

O plano foi feito pelo Occupational Safety and Health Administration, agência do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos.

A regra vale para os servidores públicos federais ou para qualquer empresa com mais de 100 funcionários. A expectativa é que a medida atinja 84 milhões de trabalhadores, segundo informou a Casa Branca.

Na prática, a regra vai afetar dois terços da força de trabalho americana.

Apesar do plano ter sido divulgado nesta semana, a medida só começará a valer em 4 de janeiro, com dois meses para que as empresas se adaptem.

A rejeição é maior sobretudo nos estados conservadores e onde as taxas de vacinação são baixas atualmente.

Quase todos os estados que entraram com processo contra o governo federal têm percentual de vacinados com duas doses abaixo dos 50% da população.

  • Nacionalmente, 67% da população americana tomou ao menos uma dose da vacina contra a covid-19;
  • 58% foram completamente vacinados; 
  • Se contabilizados somente os maiores de 18 anos, 70% da população adulta está totalmente vacinada.

A taxa de vacinação varia entre os estados e entre localidades específicas no país.

Enquanto estados como Maine, Vermont e Connecticut têm taxa de vacinação completa acima de 70%, na Virgínia Oriental, o estado menos vacinado, são só 41%. Algumas cidades têm implementado também o chamado "passaporte da vacinação", exigindo imunização ou teste negativo em ambientes fechados como restaurantes.

A vacinação baixa em vários lugares tem sido um risco e levado a aumento de casos e mortes por covid-19 nos Estados Unidos. Os estados pouco vacinados têm tido aumento de casos entre 5% e 10%, e aumento no número de mortes, sobretudo entre os não vacinados, mais vulneráveis à forma grave da doença.

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