Furacão Fiona impacta Porto Rico e deixa ilha às escuras e com alagamentos

Tempestade avança com ventos de até 140 km/h e especialistas temem que ganhe mais força nas próximas 48h
Bombeiros tentam remover árvores caídas em Puerto Rico, derrubadas pelo furacão Fiona (AFP/AFP)
Bombeiros tentam remover árvores caídas em Puerto Rico, derrubadas pelo furacão Fiona (AFP/AFP)
A
AFP

Publicado em 18/09/2022 às 18:56.

Última atualização em 18/09/2022 às 18:56.

O furacão Fiona tocou o solo neste domingo (18) no sul de Porto Rico, dois dias antes do quinto aniversário da passagem do furacão Maria, que devastou a ilha.

Fiona, que mergulhou todo o território americano na escuridão, tocou o solo às 15h20 locais (16h20 de Brasília), perto de Punta Tocón (sudoeste), informou o Centro Nacional de Furacões (NHC) dos Estados Unidos.

O furacão avança com ventos de até 140 km/h. No momento, tem categoria 1, a menor na escala Saffir-Simpson (que vai até 5), mas espera-se que vá "ganhar mais força nas próximas 48 horas", acrescentou o NHC.

O temporal provocou um apagão geral na ilha desde pouco após às 13h (14h de Brasília) , informou a Autoridade de Energia Elétrica de Porto Rico, a corporação pública encarregada da geração de eletricidade.

Esta entidade já conseguiu reiniciar vários geradores, um primeiro passo para o restabelecimento da rede elétrica, informou seu diretor, Josué Colón, em entrevista à TV.

Segundo os protocolos estabelecidos, assim que conseguir reativar a rede, a autoridade tentará restabelecer primeiro o serviço em hospitais e outros prédios governamentais que oferecem serviços essenciais.

Cheias e inundações

Os rios Grande de Loiza e Cagüitas, no norte e no centro da ilha, transbordaram em algumas áreas, informou pelo Twitter o Serviço Meteorológico Nacional dos Estados Unidos (NWS).

"As comunidades nas margens destes rios deveriam avaliar se deslocar para um local mais alto de imediato", acrescentou.

Segundo a imprensa local, outros rios transbordaram no sudeste da ilha, inundando rodovias e áreas urbanas.

Na montanha e na região sudoeste, várias famílias perderam o teto de suas casas pelas rajadas de ventos e tiveram que se abrigar em refúgios habilitados pelo governo.

Pela manhã, o governador de Porto Rico, Pedro Pierluisi, instou a população a buscar abrigo.

"Pedimos ao nosso povo que se mantenha em suas casas e que busque refúgio se precisar. Continuamos sob alerta de furacão", declarou em coletiva de imprensa. "Por seu tamanho, esta tempestade estará impactando todo Porto Rico", acrescentou.

Pierluisi anunciou a suspensão das aulas nas escolas na segunda-feira, devido às previsões de continuidade das chuvas.

Imagem de satélite mostra a tempestade (AFP/AFP)

Também cancelou o trabalho dos funcionários públicos, exceto aqueles que ocupam cargos críticos ou que fornecem serviços essenciais durante a emergência.

O presidente americano, Joe Biden, aprovou neste domingo a declaração do estado de emergência em Porto Rico, uma medida que permite a liberação de fundos federais para os trabalhos de ajuda.

A ex-colônia espanhola se tornou território americano no fim do século XIX, antes de obter o status de estado livre associado em 1950.

"Estragos"

As autoridades antecipam chuvas de 508 a 635 mm nas áreas isoladas de Porto Rico, uma quantidade bastante inferior à registrada durante a passagem do furacão Maria, que varreu o território caribenho há quase cinco anos.

"Podemos esperar que haja estragos, mas não no nível de Maria", disse Ernesto Morales, do NWS, na mesma coletiva do governador.

Depois da passagem de Maria, Porto Rico ficou incomunicável e grandes áreas permaneceram sem eletricidade por vários meses. Quase 3.000 pessoas morreram por causa do desastre, segundo o balanço oficial.

Fiona já causou graves danos em sua passagem por Guadalupe na noite de sexta-feira. Em alguns locais, a água subiu mais de 1,50 metro neste território francês. Um homem morreu no local, arrastado com sua casa pela cheia de um rio.

O aquecimento da superfície dos oceanos aumenta a frequência dos furacões mais violentos, com ventos mais fortes e chuvas mais intensas, segundo especialistas.