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França descarta atacar Síria sem apoio dos EUA

Se o Congresso dos EUA se pronunciar contra o ataque, "seria preciso abordar a questão síria de outra forma", assinalou chanceler francês

Paris - O ministro das Relações Exteriores francês, Laurent Fabius, descartou nesta quarta-feira uma operação militar contra o presidente sírio, Bashar al Assad, se o Congresso dos Estados Unidos se pronunciar contra o ataque.

"Estamos formando uma coalizão, que tentamos ampliar. Contávamos com o Reino Unido, que por motivos parlamentares não foi possível (...) Se os Estados Unidos falharem, algo que eu não desejo mas que é possível, este tipo de ação não seria possível", assegurou o chefe da diplomacia francesa à emissora "France Info".

Se o Congresso se pronunciar contra, assinalou Fabius, "seria preciso abordar a questão síria de outra forma", sem dizer qual seria o novo cenário.

Fabius fez estas declarações a poucas horas de os deputados franceses estudarem em sessão extraordinária o ataque à Síria, um debate puramente simbólico já que não virá acompanhado de uma votação.

O ministro defendeu que o debate não seja acompanhado de uma votação pelo fato de que ainda não há condições para lançar o ataque, em particular a espera pelo Congresso americano que se reúne na próxima semana.

Mas não descartou que, assim que se coloque de forma concreta a intervenção militar, o presidente francês, François Hollande, peça o respaldo parlamentar, embora a Constituição francesa não o exija.

Fabius negou que a França esteja "isolada" contra Assad, e lembrou que a Liga Árabe e alguns parceiros europeus mostraram seu apoio à intervenção, embora não pensem em participar dela de forma direta.


O ministro acrescentou que durante a próxima reunião do Grupo dos Vinte (G20) em São Petersburgo haverá contatos com a Rússia, país que "até agora bloqueou a situação com seu veto no Conselho de Segurança".

"Uma evolução (na postura russa) seria desejável", acrescentou.

Fabius assegurou que o castigo ao regime sírio não é incompatível com a busca de uma solução política à crise que o país atravessa e assinalou que "contribui" para buscá-la.

"Para conseguir a solução política é preciso fazer a situação evoluir, caso contrário, Bashar dirá que pode continuar com a situação atual", disse.

Fabius reconheceu que a postura francesa "comporta riscos" e se referiu às ameaças proferidas pelo presidente sírio contra a França em entrevista publicada ontem pelo jornal "Le Figaro".

"Bashar ameaça todo o mundo. Sempre há riscos, em primeiro lugar para os sírios, também para os países vizinhos, como o Líbano, país do qual somos muito próximos. A Síria tem um grande arsenal e seus mísseis podem chegar a até 500 quilômetros. (...) Mas também há riscos em não fazer nada", assegurou.

O ministro explicou que foram tomadas todas as medidas necessárias para reduzir ao máximo esses riscos. 

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