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Fim das brigas, até com a Coreia? A reviravolta na política externa de Biden

Era do "America First" parece ter ficado para trás; novo governo pretende adotar tom mais cordial no cenário global e reconstruir pontes com os países

Não está só nas intenções. Antes mesmo da posse de Joe Biden, representantes de sua equipe já iniciaram um diálogo com o Irã para a retomada do acordo nuclear, do qual Trump retirou os Estados Unidos em 2018, em claro sinal de retomada de uma posição menos beligerante do país no cenário externo.

No campo das relações externas, Biden deverá ter que trabalhar em dobro para reverter as principais políticas de Trump -- o retorno ao acordo nuclear, que dificulta o acesso ao plutônio, usado na fabriação de armas nucleares, e ao enriquecimento de urânio em troca da suspensão de boa parte das sanções econômicas, pode não ser tão simples, por exemplo.

No final do ano passado, Mike Pompeo, secretário de Estado, intermediou um encontro surpresa na Arábia Saudita entre Benjamim Netanyahu, premiê de Israel e forte aliado de Trump, e o príncipe Mohammed bin Salman, da Árabia Saudita. No Oriente Médio, ficou a impressão de que a coalizão de forças contrário aos esforços de Biden de aparar as arestas na região estaria ganhando força.

O clima de tensão criado por Trump deve apresentar um desafio para a política externa de Joe Biden, e não apenas no Oriente Médio.

A bandeira do "America First" não facilitou muito o trabalho dos diplomatas americanos em construir e manter boas relações com os países. Vários diplomatas, aguns do primeiro escalão, como Joyce Barr e Michele Bond, resolveram inclusive se demitir durante a administração Trump, em desacordo com as diretrizes internacionais mais agressivas de Trump.

Agora, deve entrar em cena uma política mais harmoniosa, baseada nos princípios da administração do ex-presidente Barack Obama. As ações já anunciadas para a Venezuela sinalizam os novos valores do governo Joe Biden. Os Estados Unidos pretendem continuar reconhecendo Juan Guaidó como o presidente do país, ao mesmo tempo em que a ajuda humanitária a Caracas deve aumentar.

As sanções econômicas ao pais também devem reestudadas, o que não significa, no entanto, que devem desaparecer. "Precisamos de políticas mais efetivas para restaurar a democracia na Venezuela, começando por eleições livres", disse Anthony Blinken, o novo secretário de Estado americano. 

A intenção, de uma forma geral, é adotar um discurso menos beligerante e evitar ações de força que possam acirrar tensões, como o assassinato do general iraniano Qasem Soleimani em Bagdá, no Iraque, no início de 2020.

"Biden precisará começar imediatamente a reconstruir as alianças dos Estados Unidos com o restante do mundo para reverter os malefícios causados pela administração anterior", diz Chuck Hagel, ex-secretário de defesa do país. A ideia é manter um tom firme, mas sem abrir mão de possibilidades de diáologo.

Esse princípio deve valer inclusive para a Coreia do Norte, um dos maiores inimigos dos Estados Unidos. A era de provocações e a troca de farpas entre os dois países não deve ser alimentada por Biden. O país, no entanto, deverá manter sua posição de não aceitação do regime norte-coreano.

Para colocar em pauta o novo comboio das políticas externas americanas, o novo governo deve se concentrar em uma revisão estratégica abrangente. "Não tenho certeza se sabíamos ao certo para onde a política externa americana estava indo nos últimos quatro anos, por isso agora será preciso fazer um grande trabalho para reorganizar isso e implementar um novo direcionamento das relações exteriores", diz Sarah Margon, diretora de política externa do thin tank Open Society.

 

 

 

 

 

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