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Exército egípcio derruba presidente e anuncia transição

Exército anunciou pela TV que o presidente havia "deixado de atender às exigências do povo egípcio"


	Mursi, ligado à Irmandade Muçulmana e há um ano no cargo, permanecia em um quartel da Guarda Republicana, cercado por arame farpado, barreiras e soldados
 (REUTERS/Amr Abdallah Dalsh)

Mursi, ligado à Irmandade Muçulmana e há um ano no cargo, permanecia em um quartel da Guarda Republicana, cercado por arame farpado, barreiras e soldados (REUTERS/Amr Abdallah Dalsh)

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Tom Perry, Yasmine Saleh

3 de julho de 2013, 18h05

Cairo - As Forças Armadas do Egito derrubaram na quarta-feira o presidente eleito do país, o político islâmico Mohamed Mursi, e anunciaram uma transição política com apoio de uma ampla gama de líderes políticos, religiosos e juvenis.

Após um dia dramático, em que tanques e soldados ocuparam posições perto do palácio presidencial enquanto se esgotava o ultimato militar dado a Mursi, o comandante militar anunciou pela TV que o presidente havia "deixado de atender às exigências do povo egípcio".

Ao lado de líderes políticos e religiosos e de generais graduados, o general Abdel Fattah al Sisi anunciou a suspensão da Constituição de matiz islâmico, aprovada em referendo no ano passado, e a adoção de um mapa que leve à volta do regime democrático, sob regras revistas.

O presidente da Corte Constitucional Suprema será o presidente interino, assistido por um conselho provisório e por um governo tecnocrata, até que novas eleições presidenciais e parlamentares sejam realizadas.

Segundo fontes militares e jurídicas, o presidente da Corte Constitucional Suprema, Adli Mansour, prestará juramento como chefe de Estado interino na quinta-feira.

"Os que estavam na reunião concordaram com um mapa para o futuro que inclua passos iniciais rumo a obter a construção de uma sociedade egípcia forte, que seja coesa e não exclua ninguém, e que acabe com o estado de tensão e divisão", disse Sisi em um pronunciamento solene, transmitido ao vivo pela TV estatal.

Depois do discurso, centenas de milhares de manifestantes contrários a Mursi começaram a festejar na praça Tahrir, no centro do Cairo, soltando rojões e agitando bandeiras. Carros saíram buzinando pelas ruas da capital.

Nota publicada na página oficial de Mursi no Facebook qualificou as medidas como "um golpe militar completo", a serem "totalmente rejeitadas".

A mais populosa nação árabe está em turbulência desde a queda do ditador Hosni Mubarak, como parte das rebeliões da Primavera Árabe ocorridas no começo de 2011. A instabilidade causa grande preocupação entre aliados do Ocidente e em Israel, país com o qual o Egito estabeleceu um tratado de paz em 1979.


O jornal estatal Al Ahram disse que os militares informaram sobre a destituição a Mursi às 19h (12h em Brasília), horário em que expirou o ultimato de 48 horas dado por Sisi ao presidente para que renunciasse ou aceitasse partilhar o poder.

O presidente, ligado à Irmandade Muçulmana e há um ano no cargo, permanecia em um quartel da Guarda Republicana, cercado por arame farpado, barreiras e soldados. Não estava claro, no entanto, se ele estava detido.