Ex-ministro venezuelano teme que 'bloco chavista' siga caminho do Zimbábue

Ricardo Hausmann teme por países que seguem políticas semelhantes à da Venezuela, como Equador, Bolívia, Nicarágua e Cuba

Jerusalém - O ex-ministro venezuelano Ricardo Hausmann dividiu os países latino-americanos em quatro cenários econômicos para a próxima década e declarou que a "grande incógnita da América Latina" será o impacto das políticas do "bloco chavista".

"A grande incógnita da América Latina é se vamos conseguir passar por esse capítulo obscuro da destruição das liberdades econômicas e das oportunidades de desenvolvimento de sua gente", disse Hausmann em entrevista à Agência Efe pouco antes de participar da conferência "Israel 2021", em Jerusalém.

Hausmann, que ocupou o Ministério de Planejamento entre 1992 e 1993 durante a segunda Presidência de Carlos Andrés Pérez, distingue quatro grupos regionais na América Latina quanto a seu desempenho econômico para a próxima década.

O primeiro é formado pelos "países democráticos de orientação de mercado do litoral do Pacífico", como o Chile, Peru, Colômbia, Costa Rica e "talvez México", que terão uma "década boa" porque seguem uma "boa tendência" e estão "do lado das importações da China".

Em segundo lugar estão outros países, como o Uruguai, que "vai por muito bom caminho"; Argentina, que "terá uma década muito boa" se decidir tomar um rumo "sensato em 2011"; e Brasil, que tem "enormes possibilidades".

América Central compõe um terceiro grupo que enfrenta "o problema de encontrar seu papel no mundo" perante a concorrência das exportações asiáticas, segundo Hausmann, professor de Prática do Desenvolvimento Econômico na Universidade de Harvard.

Por último, estão os "países do bloco chavista": Venezuela, Equador, Bolívia, Nicarágua e Cuba.

"Estão indo muito mal. A pergunta é se a década será lembrada como um pesadelo ou se estes países seguirão o caminho do Zimbábue, onde o Governo destrói a sociedade", argumentou.

O ex-ministro venezuelano considera que "América Latina necessita repensar seu papel no mundo" porque recentemente "deixou que seu discurso externo fosse dominado por Chávez sem verdadeiros contrapesos importantes na presença dos países mais democráticos e mais bem-sucedidos da região".

Neste sentido acusou o Brasil de ter se comportado com uma "gigantesca irresponsabilidade" perante o fenômeno e de ter adotado uma política externa "inconveniente e incoerente".

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