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Europa pausa acordo EU-Mercosul e tratado deve ir ao Tribunal Europeu

Decisão apertada envia pacto ao TJUE e interrompe tramitação por até 24 meses

Acordo UE–Mercosul: votação apertada no Parlamento Europeu leva pacto ao Tribunal de Justiça e suspende sua tramitação. (Nicolas Tucat/AFP)

Acordo UE–Mercosul: votação apertada no Parlamento Europeu leva pacto ao Tribunal de Justiça e suspende sua tramitação. (Nicolas Tucat/AFP)

Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 11h04.

O Parlamento Europeu paralisou o acordo UE-Mercosul, assinado pela Comissão Europeia no último sábado, 18, para que o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) avalie se o texto é "compatível" com os tratados do bloco.

Na prática, a medida paralisa a tramitação do pacto até que os juízes emitam um parecer, processo que costuma levar entre 18 e 24 meses, segundo a própria corte.

A decisão foi aprovada por 334 votos a favor, 324 contra e 11 abstenções, após mais de 25 anos de negociações e poucos dias depois da assinatura do acordo. A moção questiona principalmente a base legal escolhida para a ratificação — que permitiria a aprovação das partes comerciais sem o aval dos Parlamentos nacionais — e o mecanismo de reequilíbrio, que, segundo críticos, poderia comprometer a autonomia regulatória da UE.

Parlamentares contrários ao acordo afirmam que o mecanismo de reequilíbrio pode abrir precedentes para disputas que limitem a capacidade da União Europeia de regular temas sensíveis, como meio ambiente, padrões sanitários e políticas industriais. Também há críticas ao modelo de aprovação, visto como uma forma de contornar resistências nacionais em países mais reticentes ao pacto.

O TJUE informou que, embora o prazo médio para esse tipo de parecer seja de até dois anos, o tribunal pode acelerar a análise caso considere o tema prioritário.

Comissão Europeia reage e defende aplicação provisória

A Comissão Europeia lamentou a decisão do Parlamento e afirmou que o acordo é de importância “vital” para o bloco. Segundo o porta-voz do Executivo comunitário, Olof Gill, as preocupações levantadas pela Eurocâmara já haviam sido amplamente discutidas e não são inéditas, tendo aparecido em acordos anteriores, como o firmado com o Chile.

Gill afirmou ainda que a Comissão seguirá dialogando com os eurodeputados para reforçar a relevância do pacto, tanto do ponto de vista econômico quanto geopolítico, especialmente em um momento de crescente tensão comercial global. Questionado sobre a possibilidade de aplicação provisória do acordo antes de uma decisão do TJUE, o porta-voz evitou se comprometer, dizendo que o foco agora é político.

O tema deve ser discutido também na cúpula extraordinária da UE, convocada inicialmente para tratar das relações com os Estados Unidos, em meio às ameaças tarifárias do presidente americano, Donald Trump.

Alemanha critica decisão e cobra avanço imediato

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, classificou a decisão do Parlamento como “lamentável” e disse que ela não reflete adequadamente o atual cenário geopolítico. Em publicação na rede X, Merz afirmou que o governo alemão está convencido da legalidade do acordo e defendeu sua aplicação provisória imediata.

A Alemanha é um dos países que mais pressionam pela entrada em vigor do pacto, visto como estratégico para diversificar parceiros comerciais, reduzir dependências e fortalecer a posição europeia diante de disputas globais envolvendo Estados Unidos e China.

*Com informações da EFE

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