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EUA retira funcionários do consulado em Xangai por restrições contra covid

A China aplica uma política de "covid zero" que consiste em tentar eliminar completamente as infecções por meio de confinamentos rígidos, testes em larga escala e restrições de viagens

 (Aly Song/Reuters)

(Aly Song/Reuters)

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AFP

Publicado em 12 de abril de 2022, 06h42.

Última atualização em 12 de abril de 2022, 06h42.

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O governo dos Estados Unidos ordenou que todos os funcionários não essenciais em seu consulado em Xangai deixem a cidade chinesa em meio ao severo confinamento decretado pelas autoridades devido ao surto de covid-19, com milhares de casos diários.

O Departamento de Estado ordenou a saída de funcionários e suas famílias "devido ao atual surto de covid-19 e ao impacto das restrições relacionadas à resposta da República Popular da China", afirmou o porta-voz da embaixada em um comunicado.

A diplomacia americana também expressou "preocupação com a segurança e o bem-estar dos cidadãos americanos a funcionários do governo da República Popular da China", acrescenta o texto.

O gigante asiático ainda aplica uma política de "covid zero" que consiste em tentar eliminar completamente as infecções por meio de confinamentos rígidos, testes em larga escala e restrições de viagens.

Apesar das precauções, o vírus se propagou no país desde março, com mais de 100.000 casos apenas em Xangai, o que resultou em um confinamento da cidade de 25 milhões de habitantes.

As restrições, as mais severas decretadas na China desde desde que o vírus surgiu em Wuhan no fim de 2019, enfrentam a crescente irritação dos moradores da metrópole diante da falta de comida e da política inflexível de isolar as pessoas que testam positivo em centros de quarentena.

A megacidade registrou mais de 23.000 novas infecções nesta terça-feira.

A maioria dos habitantes permanece sob confinamento estrito, mas aqueles que moram em áreas com baixa incidência do vírus foram autorizados a sair de casa, o que foi celebrado nas redes sociais.

A embaixada dos Estados Unidos informou na semana passada que permitiria que seus funcionários não essenciais deixassem a cidade devido ao surto e alertou seus cidadãos na China sobre as medidas anticovid "arbitrárias" decretadas no país.

O Departamento de Estado agora garante que "a melhor coisa" para os funcionários e suas famílias é "reduzir o número e diminuir as operações enquanto lidamos com as mudanças nas circunstâncias", disse o porta-voz.

Mal-estar

A China rejeitou as críticas americanas sobre o confinamento em Xangai. O porta-voz da diplomacia de Pequim, Zhao Lijian, rebateu no sábado o que chamou de "acusações sem fundamento" e afirmou que a política chinesa é "científica e efetiva".

As autoridades disponibilizaram dezenas de milhares de novos leitos em quase 100 hospitais improvisados como parte da política de isolar qualquer pessoa que testa positivo para covid, sintomática ou assintomática.

Os moradores de Xangai começaram a expressar mal-estar com as restrições. Muitos reclamaram nas redes sociais da escassez de comida e da inflexibilidade de uma política que levou um profissional da área da saúde a espancar até a morte um cachorro cujo dono testou positivo.

A impopular medida de separar as crianças infectadas dos pais que testam negativo, agora flexibilizada, também provocou demonstrações incomuns de irritação na semana passada.

Apesar das críticas, as autoridades mantêm a defesa da estratégia "covid zero" e o secretário de Saúde de Xangai, Wu Qianyu, afirmou no domingo que domingo que as medidas não serão reduzidas.

As principais plataformas de entrega a domicílio o anunciaram que pretendem aumentar as reservas de alimentos e recrutar milhares de trabalhadores para reforçar a oferta de produtos básicos.