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EUA podem investir bilhões em terras raras no Brasil, diz chefe da embaixada

Acordo com Goiás e interesse crescente reforçam papel do Brasil nas cadeias globais de minerais críticos

Acordo de minerais críticos: Ronaldo Caiado, governador de Goiás, e Gabriel Escobar, encarregado de negócios dos EUA, assinaram termo em São Paulo (Rafael Balago/Exame)

Acordo de minerais críticos: Ronaldo Caiado, governador de Goiás, e Gabriel Escobar, encarregado de negócios dos EUA, assinaram termo em São Paulo (Rafael Balago/Exame)

Publicado em 19 de março de 2026 às 12h35.

Última atualização em 19 de março de 2026 às 12h42.

Os Estados Unidos podem investir bilhões de dólares em terras raras no Brasil, avalia Gabriel Escobar, encarregado de Negócios da Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil.

Segundo o diplomata, o Brasil tem a oportunidade de desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento de cadeias globais de suprimentos de minerais críticos.

“Os EUA já estão investindo mais de 600 milhões de dólares em projetos de minerais críticos no Brasil, e vemos o potencial para bilhões de dólares adicionais de investimento americano nessa área”, afirmou no Fórum Brasil-EUA em Minerais Críticos, em São Paulo.

A perspectiva alvissareira vem na esteira do primeiro investimento dos EUA no Brasil em terras raras.

Na quarta-feira, 18, os governos dos Estados Unidos e de Goiás assinaram um memorando de entendimento para aumentar o acesso de empresas americanas a minerais críticos e terras raras no estado.

O acordo tem três pilares. Será realizado um levantamento de todo o potencial mineral de Goiás, em parceria com o governo americano.

Em seguida, o Estado terá prerrogativas para identificar as áreas de interesse e criar políticas para a exploração de minerais naquelas áreas. O terceiro ponto do memorando prevê parcerias técnicas, para que os minerais não sejam apenas extraídos, mas processados em Goiás. A iniciativa busca agregar valor à produção mineral dentro do próprio estado.

A gestão do presidente Donald Trump colocou os minerais críticos no centro de sua política comercial e industrial, com o objetivo de reduzir a dependência da China, que domina a produção e o processamento global desses recursos. As terras raras são usadas em uma ampla gama de produtos, de munições a eletrônicos de consumo.

Em fevereiro, a administração americana lançou um estoque nacional de minerais críticos e ampliou sua atuação direta no setor, com participações acionárias em empresas do segmento. No ano passado, o Pentágono fechou um acordo que incluiu preço mínimo e contrato de fornecimento, além de participação societária.

Parceria a nível federal

A parceria entre Goiás e o governo dos Estados Unidos é a primeira do tipo com um Estado brasileiro.

Gabriel Escobar, encarregado de negócios nos EUA no Brasil, que chefia a embaixada americana no país, disse que há negociações em andamento para um acordo em nível federal.

"Neste momento já temos proposta de acordo ao nível federal. Estamos em discussões; tivemos algumas discussões preliminares, mas estamos esperando ainda uma resposta favorável", disse Escobar.

"Este acordo vai abrir ainda mais portas para exploração, para desenvolvimento, para investimento. É um acordo que, como dizemos nos Estados Unidos, é win-win (ganha-ganha)", afirmou o americano.

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