EUA envia à África 25 milhões de doses de vacinas contra coronavírus

Continente é o que menos vacinou até agora, com países tendo dificuldade em acessar vacinas, que ficaram concentradas nas regiões mais ricas. EUA vem sendo pressionado a exportar mais doses

Os Estados Unidos anunciaram o envio de 25 milhões de doses de vacinas contra o coronavírus para países da África. Os envios começam em poucos dias, segundo anunciado nesta sexta-feira, 16, com as primeiras doses chegando a Burkina Faso, Djibuti e Etiópia.

Ao todo, 49 nações africanas receberão vacinas da Johnson & Johnson, da Moderna, ou da Pfizer, nas próximas semanas, disseram autoridades à AFP.

Djibuti e Burkina Faso receberão 151.200 doses da J&J, enquanto a Etiópia receberá 453.600, disse um funcionário de alto escalão do governo de Joe Biden.

As remessas são coordenadas com agências e mecanismos multilaterais, como a União Africana (UA) e o Covax, o sistema de distribuição da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da aliança de vacinas Gavi. Os EUA só ingressaram na Covax em 21 de janeiro deste ano, após a posse do presidente Joe Biden.

Na África, as mortes relacionadas com a covid-19 aumentaram 43% em uma semana, impulsionadas pela falta de leitos de UTI e de oxigênio, alertou a OMS na quinta-feira, 15.

"Em parceria com a União Africana e com o Covax, os Estados Unidos têm o orgulho de doar 25 milhões de vacinas contra a covid-19", disse coordenadora do Departamento de Estado para Covid-19 e Saúde Global, Gayle Smith, afirmando que o governo Biden está "empenhado em liderar" a resposta global à pandemia.

Os EUA vêm sendo criticados por fazer pouco para enviar vacinas ao exterior, enquanto, dentro do país, mesmo adolescentes a partir de 12 anos já estão sendo vacinados.

Desigualdade na vacinação

Com 1,3 bilhão de habitantes em todo o continente, os países da África somados só aplicaram até agora cerca de 60 milhões de doses, o suficiente para menos de 5% da população ser vacinada com uma dose, segundo os números coletados pelo Our World In Data, da Universidade de Oxford.

Nos EUA, 56% da população foi vacinada com uma dose e 48% teve a vacinação completa (entre os adultos com mais de 18 anos, o percentual de vacinados com uma dose passa de 65%). Sobram doses no país, e a fatia de vacinados só não é maior por resistência da própria população.

Strive Masiyiwa, representante da União Africana, considerou que os envios ajudarão a fazer avançar a meta de vacinar 60% da população do continente africano, "especialmente neste momento em que estamos testemunhando uma terceira onda em vários países".

O presidente da Afreximbank, Benedict Oramah, que ajuda a coordenar a ajuda, disse que as doações dos Estados Unidos são "um gesto significativo e bem-vindo".

Existem enormes disparidades na distribuição de vacinas anticovid-19 no mundo: enquanto as regiões mais pobres recebem poucas doses, os países ricos implementam programas nacionais de imunização em larga escala.

Entre o fim do governo Donald Trump e o começo da gestão Biden, os EUA enviaram ao exterior menos vacinas do que a arquirrival na China, que ofereceu suas vacinas a países em desenvolvimento ainda no ano passado - no que ficou conhecido como a "diplomacia da vacina".

Os Estados Unidos negam estarem competindo com potências rivais, mas Biden vem buscando se colocar no centro dos esforços internacionais para acabar com esta crise sanitária mundial, prometendo uma doação inicial de 80 milhões de doses de vacinas para distribuição internacional.

A Casa Branca disse que, até agora, distribuiu cerca de 40 milhões de doses para países, incluindo na América Latina e na Ásia.

Biden também se comprometeu a doar US$ 2 bilhões para o sistema Covax, ao anunciar a compra de 500 milhões de doses da Pfizer/BioNTech para a União Africana e para 92 países pobres.

Na última cúpula do G7, realizada no Reino Unido, os países mais ricos também concordaram em doar mais 500 milhões de vacinas.

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