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EUA cita extração de riqueza ao justificar suspensão de novos vistos

Em um comunicado, o Departamento de Estado dos EUA afirma que o bloqueio permancerá até que as autoridades se certifiquem que os novos imigrantes não representam problemas aos EUA

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 15h19.

Última atualização em 14 de janeiro de 2026 às 15h23.

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A Embaixada dos Estados Unidos em Brasília confirmou a decisão do governo de Donald Trump de suspender a emissão de vistos para cidadãos de 75 países, incluindo o Brasil.

Procurada pela EXAME, a embaixada apresentou uma nota emitida pelo Departamento de Estado dos EUA, na qual ressalta que o congelamento do processo da autorização de entrada trata de imigrantes de países que aplicam para programas de assistência em "taxas inaceitáveis", segundo o governo americano.

"O Departamento de Estado suspenderá o processamento de vistos de imigrante de 75 países cujos migrantes recorrem a programas de assistência social pagos pelo povo americano em taxas inaceitáveis", diz o texto.

No comunicado, o departamento também ressalta que o bloqueio permanecerá até que as autoridades se certifiquem que os novos imigrantes não representam problemas aos EUA.

"O congelamento permanecerá em vigor até que os EUA possam garantir que os novos imigrantes não extrairão riqueza do povo americano", diz o texto da Embaixada.

No entanto, a Embaixada ainda não informou se a medida afeta brasileiros e imigrantes que vão pedir vistos de não-imigração, como os de turismo.

Restrição de entrada nos EUA

A suspensão de vistos foi confirmada pela Bloomberg por um comunicado interno do Departamento de Estado do país norte-americano. Segundo o site, a medida entra em vigor a partir do dia 21 de janeiro e congela por tempo indeterminado os pedidos. 

De acordo com o documento, países como Afeganistão, Irã, Rússia e Somália — cujos cidadãos já enfrentavam severas restrições — estão na lista, mas o impacto deve ser maior para nações que até então mantinham fluxo regular de concessões, como Brasil e Nigéria.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, compartilhou no X (antigo Twitter) a reportagem da Fox News, primeiro veículo a divulgar a informação.

Segundo o Departamento de Estado, a decisão se baseia na aplicação mais rigorosa da regra do chamado “ônus público”, que permite negar vistos a estrangeiros considerados propensos a depender de benefícios governamentais nos Estados Unidos.

“O Departamento de Estado usará sua autoridade de longa data para considerar inelegíveis potenciais imigrantes que possam se tornar um ônus para os Estados Unidos e explorar recursos públicos”, afirmou o porta-voz Tommy Pigott em nota.

Ainda segundo a Fox News, oficiais consulares foram orientados a recusar pedidos enquanto os critérios de triagem são reavaliados. O governo Trump já havia endurecido o processo nos últimos meses, incluindo a análise detalhada de perfis em redes sociais em busca de conteúdos considerados hostis aos Estados Unidos.

A suspensão ocorre a cerca de cinco meses do início da Copa do Mundo, que será coorganizada pelos Estados Unidos, Canadá e México, e deve receber centenas de milhares de visitantes estrangeiros.

Veja a lista dos 75 países afetados pela medida, segundo a Fox News:

  • Afeganistão

  • Albânia

  • Argélia

  • Antígua e Barbuda

  • Armênia

  • Azerbaijão

  • Bahamas

  • Bangladesh

  • Barbados

  • Bielorrússia

  • Belize

  • Butão

  • Bósnia

  • Brasil

  • Mianmar (Birmânia)

  • Camboja

  • Camarões

  • Cabo Verde

  • Colômbia

  • Costa do Marfim

  • Cuba

  • República Democrática do Congo

  • Dominica

  • Egito

  • Eritreia

  • Etiópia

  • Fiji

  • Gâmbia

  • Geórgia

  • Gana

  • Granada

  • Guatemala

  • Guiné

  • Haiti

  • Irã

  • Iraque

  • Jamaica

  • Jordânia

  • Cazaquistão

  • Kosovo

  • Kuwait

  • Quirguistão

  • Laos

  • Líbano

  • Libéria

  • Líbia

  • Macedônia

  • Moldávia

  • Mongólia

  • Montenegro

  • Marrocos

  • Nepal

  • Nicarágua

  • Nigéria

  • Paquistão

  • República do Congo

  • Rússia

  • Ruanda

  • São Cristóvão e Nevis

  • Santa Lúcia

  • São Vicente e Granadinas

  • Senegal

  • Serra Leoa

  • Somália

  • Sudão do Sul

  • Sudão

  • Síria

  • Tanzânia

  • Tailândia

  • Togo

  • Tunísia

  • Uganda

  • Uruguai

  • Uzbequistão

  • Iêmen

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