Mundo

EUA apreendem petroleiro na costa da Venezuela em meio à pressão sobre Maduro

Hoje, cerca de 15 mil militares americanos estão na região, acompanhados por navios de guerra

Vídeo postado na rede social da Procuradora-Geral dos EUA, Pam Grier, mostra momento exato do ataque (Handout / US Attorney General Pam Bondi's X account / AFP)

Vídeo postado na rede social da Procuradora-Geral dos EUA, Pam Grier, mostra momento exato do ataque (Handout / US Attorney General Pam Bondi's X account / AFP)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 10 de dezembro de 2025 às 20h44.

Os Estados Unidos capturaram um navio petroleiro na costa da Venezuela nesta quarta-feira, confirmou o presidente Donald Trump, em meio à pressão sobre o governo de Nicolás Maduro. A embarcação está na lista de sanções do governo americano, mas não foi revelado quem a operava.

"Como vocês provavelmente sabem, acabamos de apreender um petroleiro na costa da Venezuela', disse Trump a jornalistas no Salão Oval.

O presidente não deu detalhes sobre a abordagem, a rota ou o nome do navio. Em publicação na rede social X, Pam Bondi, secretária de Justiça, afirmou que a operação foi conduzida pelo FBI, pelo Departamento de Segurança Interna e pela Guarda Costeira dos EUA, com apoio do Departamento de Guerra, para “executar um mandado de apreensão de um navio-tanque de petróleo bruto usado para transportar petróleo sancionado da Venezuela e do Irã”.

Segundo Bondi, o petroleiro está sob sanções há vários anos por envolvimento em uma rede ilegal de transporte de petróleo que apoia organizações terroristas estrangeiras. Ela destacou que a apreensão foi “realizada de forma segura e protegida” e que a investigação continua.

De acordo com a agência Reuters, a embarcação seria o petroleiro Skipper, incluído na lista de sanções por transportar petróleo iraniano quando operava sob o nome Adisa. O navio estava carregando petróleo venezuelano, segundo autoridades americanas, mas não estava a serviço do governo de Caracas. A identidade do proprietário não foi divulgada.

Tensão militar

A captura ocorre durante a maior operação militar dos EUA no Caribe em décadas - oficialmente para combater cartéis de tráfico e impedir o envio de drogas ao mercado americano. O regime de Maduro, porém, acusa Washington de planejar sua remoção do poder. O líder venezuelano, acusado de chefiar o chamado Cartel de los Soles, tem uma recompensa de US$ 50 milhões por sua captura. Trump declarou recentemente que “seus dias estão contados”.

Em discurso em Caracas, Maduro não mencionou a apreensão, mas pediu “o fim do intervencionismo ilegal e brutal do governo dos Estados Unidos na Venezuela e na América Latina”, criticando políticas de mudança de regime e invasões militares.

Hoje, cerca de 15 mil militares americanos estão na região, acompanhados por navios de guerra, aeronaves e o porta-aviões Gerald Ford, o maior do mundo. Desde setembro, 22 embarcações ligadas ao tráfico foram destruídas, deixando mais de 80 mortos. Trump também sugeriu que poderia iniciar uma operação terrestre na Venezuela, o que gerou alertas no Congresso americano, onde parlamentares de ambos os partidos se opõem a uma nova guerra na América Latina.

Na semana passada, a Casa Branca divulgou sua nova estratégia de segurança nacional, com forte ênfase na região e referências à Doutrina Monroe, que historicamente justificou ações militares em países latino-americanos.

Petróleo da Venezuela

A Venezuela tem as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, mas produz menos de 1 milhão de barris por dia. Especialistas afirmam que o potencial pode chegar a 5 milhões de barris diários em dez anos, com investimentos de até US$ 100 bilhões. A China é o principal comprador, e parte do transporte ocorre por “navios fantasma”, usados para driblar sanções.

A Chevron, única empresa americana com licença especial para operar no país, negocia a ampliação do prazo dessa autorização.

A apreensão deve intensificar o discurso de Maduro contra Washington, reforçando sua alegação de que Trump busca controlar as reservas venezuelanas. Em outubro, o New York Times revelou que representantes do governo venezuelano ofereceram acesso preferencial a petróleo e minerais, incluindo ouro, em troca do fim da pressão econômica e militar — proposta rejeitada pela Casa Branca.

Acompanhe tudo sobre:Donald TrumpNicolás MaduroVenezuela

Mais de Mundo

Rússia combate na Ucrânia há tanto tempo quanto na Segunda Guerra Mundial

Incêndio na Patagônia argentina já devastou quase 12 mil hectares

UE confirma assinatura do acordo com Mercosul no sábado, 17

EUA podem liberar sanções adicionais à Venezuela ainda nesta semana, diz Bessent