Repórter
Publicado em 5 de abril de 2026 às 08h23.
Última atualização em 5 de abril de 2026 às 08h41.
As Forças Armadas do Irã afirmaram neste domingo que três aeronaves militares dos Estados Unidos foram abatidas durante uma operação de resgate de um piloto americano em território iraniano. A mídia estatal do país divulgou imagens de destroços queimados em uma área desértica, ainda com fumaça visível.
A declaração ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que o segundo piloto americano abatido no Irã foi resgatado “são e salvo”, em uma ação que classificou como uma das “mais audaciosas da história” do país. Segundo Trump, o militar sofreu ferimentos, mas não corre risco de morte.
A aeronave americana, um caça-bombardeiro F-15E, caiu no sudoeste do Irã na sexta-feira. O Exército iraniano afirma ter abatido o aparelho, cujos dois ocupantes se ejetaram durante o voo. O primeiro piloto foi resgatado pouco depois por forças especiais americanas. O segundo permaneceu desaparecido por mais tempo, enquanto autoridades iranianas chegaram a prometer recompensa por sua captura.
Em publicação na plataforma Truth Social, Trump afirmou: “Nas últimas horas, as Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram uma das operações de busca e resgate mais audaciosas da história do nosso país, para um de nossos incríveis membros da tripulação, que também é um coronel muito respeitado”. O presidente acrescentou que o militar está “são e salvo”.
Iniciada em 28 de fevereiro com bombardeios israelo-americanos contra o Irã, a guerra entrou no segundo mês e já provoca impacto na economia global. O fechamento do estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — elevou a tensão nos mercados internacionais.
Another scandal for Trump: American helicopters destroyed in south of Isfahan, Iran. pic.twitter.com/iSbUdxcvIT
— IRNA News Agency ☫ (@IrnaEnglish) April 5, 2026
No domingo, países do Golfo relataram novos ataques. Nos Emirados Árabes Unidos, um incêndio atingiu uma instalação petroquímica após a interceptação de disparos iranianos. No Bahrein, um drone iraniano atingiu um depósito da companhia petrolífera estatal. O Kuwait informou danos em usinas de energia, instalações de dessalinização e em um complexo ministerial.
O Exército iraniano declarou ter atacado alvos militares no Kuwait e instalações industriais nos Emirados Árabes Unidos que, segundo Teerã, estariam ligadas à produção de equipamentos militares.
Alertas voltaram a ser acionados em Israel após o lançamento de mísseis iranianos.
No Líbano, o Hezbollah afirmou ter disparado um míssil de cruzeiro contra um navio de guerra israelense, no primeiro ataque desse tipo desde o início do conflito. O Exército israelense disse “não ter conhecimento” do incidente.
Desde o início de março, bombardeios israelenses no território libanês já deixaram mais de 1.400 mortos, segundo autoridades locais.
No sábado, Trump deu ao Irã um ultimato de 48 horas para aceitar um acordo que permita a reabertura do estreito de Ormuz. Caso contrário, prometeu desencadear o “inferno” sobre o país.
“O tempo está se esgotando: 48 horas antes de que todo o inferno se desencadeie sobre eles”, afirmou.
Autoridades iranianas reagiram às declarações. O general Ali Abdollahi Aliabadi classificou a ameaça como “uma ação impotente, nervosa, desequilibrada e estúpida” e declarou que “as portas do inferno se abrirão para eles”.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abás Araqchi, manteve conversas com representantes do Paquistão e do Egito, que tentam mediar uma saída diplomática para o conflito.
Em meio à guerra, o Irã executou dois homens acusados de atuar em nome de Israel e dos Estados Unidos durante protestos recentes, segundo o Judiciário iraniano.