Esquerda peruana rejeita renúncia de Kuczynski e quer seguir com cassação

Líder da Frente Ampla, Marco Arana, criticou Kuczynksi por ter se feito de vítima na carta de denúncia, sem "reconhecer os crimes que cometeu"

Lima – Partidos de esquerda do Congresso do Peru anteciparam que não aceitarão a renúncia apresentada nesta quinta-feira pelo presidente do país, Pedro Pablo Kuczynksi, para dar sequência ao processo de cassação, previsto para ocorrer amanhã.

Tanto a Frente Ampla como o Novo Peru, os dois partidos de esquerda no Congresso, decidiram negar a renúncia de Kuczynski porque o presidente não mostrou arrependimento pela compra de votos de congressistas da oposição reveladas ontem em gravações.

O líder da Frente Ampla, Marco Arana, criticou Kuczynksi por ter se feito de vítima na carta de denúncia, sem “reconhecer os crimes que cometeu para enriquecer ilicitamente como funcionário público”.

“O que devemos fazer é ir até o fim, caia quem caia. A Promotoria deve investigar os ministros que estiveram envolvidos na compra de votos, e aqui no Congresso devemos investigar os que compraram votos e os que venderam”, disse Arana.

O porta-voz do Novo Peru, Alberto Quintanilla, antecipou que os dez membros do partido não estão de acordo com a renúncia. Para eles, o processo de cassação deve prosseguir para que Kuczynski não possa sair do país, escapando da Promotoria, que pode investigá-lo pela tentativa de compra de votos e pela ligação com a Odebrecht.

Por outro lado, o congressista do Partido Aprista Peruano Javier Velásquez Quesquén defende a renúncia do presidente.

“O país não pode seguir paralisado. Não é um tema político, as pessoas e os investimentos estão parados. Não há emprego. Não devemos perder mais um minuto nessas discussões”, destacou.

As demais forças políticas peruanas não anunciaram como se posicionarão em relação à renúncia. O Força Popular, liderada por Keiko Fujimori, filha do ex-presidente, responsável por vazar os vídeos das compras de voto, também permanece em silêncio.

Nas gravações, Kenji Fujimori, irmão de Kenji, e outros congressistas dissentes do Força Popular oferecem benefícios a parlamentares em troca de votarem contra a cassação de Kuczynski.

Kenji passou a apoiar o agora ex-presidente do Peru em dezembro, na primeira tentativa de derrubar Kuczynski no poder, depois de seu pai, Alberto Fujimori, condenado a 25 anos de cadeia por crimes contra a humanidade, ter recebido um indulto presidencial.

As gravações também mostram o ministro de Transportes e Comunicações, Bruno Giufrra, e outros funcionários do governo.

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