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Entra em vigor acordo global para impor preço máximo ao barril de petróleo vendido pela Rússia

O acordo foi fechado na última sexta-feira em uma nova intensificação das sanções aplicadas desde que o presidente Vladimir Putin ordenou a invasão da Ucrânia

Um posto de gasolina em Ostrogozhsk, na região russa de Voronezh, em 24 de julho de 2022: preço máximo de US$ 60 ao barril de petróleo procedente da Rússia, segundo maior exportador mundial do combustível (AFP/AFP Photo)

Um posto de gasolina em Ostrogozhsk, na região russa de Voronezh, em 24 de julho de 2022: preço máximo de US$ 60 ao barril de petróleo procedente da Rússia, segundo maior exportador mundial do combustível (AFP/AFP Photo)

Por Da redação, com agências, AFP

5 de dezembro de 2022, 05h16

Entra em vigor nesta segunda-feira, 5 de dezembro, uma decisão dos 27 países da União Europeia (UE), do G7 e da Austrália de impor um preço máximo de US$ 60 ao barril de petróleo procedente da Rússia, segundo maior exportador mundial do combustível.

O valor está abaixo do preço de mercado — a cotação da matéria-prima gira ao redor de US$ 80.

O acordo foi fechado na última sexta-feira, em conjunto com um embargo da UE ao petróleo russo, em uma nova intensificação das sanções aplicadas desde que o presidente Vladimir Putin ordenou a invasão da Ucrânia em 24 de fevereiro.

O G7 (Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Japão) afirmou que pretende "evitar que a Rússia lucre com sua guerra agressiva contra a Ucrânia e apoiar a estabilidade nos mercados mundiais de energia".

A Rússia, porém, rejeitou de maneira veemente as limitações.

"Não aceitaremos esse teto", declarou o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, antes de acrescentar que Moscou está "analisando" a medida.

Os bombardeios russos das últimas semanas contra as infraestruturas do setor de energia da Ucrânia deixaram milhões de famílias sem luz, água e calefação, em um momento de temperaturas baixas com a aproximação do inverno (hemisfério norte, verão no Brasil).

"Temos que aguentar", afirmou o governador da região Mykolaiv (sul), Vitaliy Kim, no Telegram.

Putin considerou que os bombardeios são "necessários e inevitáveis diante dos ataques provocativos de Kiev", informou o Kremlin na sexta-feira.

Segundo Putin, a Ucrânia é responsável pelas explosões que destruíram parcialmente a ponte russa da Crimeia no início de outubro e, portanto, Moscou estaria no direito de bombardear infraestruturas energéticas da Ucrânia.

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Putin voltou a reclamar, em uma conversa com o chefe de Governo da Alemanha, Olaf Scholz, do apoio financeiro e militar que permitiram à Ucrânia infligir derrotas humilhantes à Rússia no maior conflito no continente europeu desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Mas a contraofensiva ucraniana, aparentemente, deixou de avançar com a mesma velocidade.

Os combates são particularmente "duros" no leste do país, porque "os russos tiveram tempo de preparação" após os reveses dos últimos meses, afirmou o governador da região de Lugansk, Serguei Gaidai.

A situação também é "difícil" perto de Bakhmut, na região leste de Donetsk, afirma um comunicado do Exército ucraniano. Os russos tentam conquistar esta localidade há vários meses e assumir seu controle seria uma vitória para Moscou após as derrotas recentes.

Donetsk é parte da bacia do Donbass, que a Rússia anunciou ter anexado no início de outubro, embora até agora não tenha conseguido conquistá-la por completo.

Putin pretende fazer uma visita a Donetsk "no momento oportuno", disse Peskov neste sábado, insistindo que para Moscou esta é "uma região da Federação da Rússia".

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse na quinta-feira que estava "disposto a conversar" com Putin, mas apenas se o presidente russo buscasse "uma forma de acabar com a guerra" e retirasse suas tropas do país.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, destacou que a Rússia rejeita as condições. "A operação militar vai continuar", insistiu, usando a terminologia oficial da Rússia para se referir à ofensiva na Ucrânia.

O governo ucraniano rejeita qualquer negociação com Putin se ele não respeitar sua integridade territorial, o que inclui a península da Crimeia, anexada por Moscou em 2014.

No sábado, a presidência da Ucrânia afirmou, nas redes sociais, que a economia da Rússia será "destruída" pelo teto ao preço imposto pelas potências ocidentais ao barril de petróleo russo.

"Sempre alcançamos nosso objetivo e a economia da Rússia será destruída. A Rússia terá que assumir a responsabilidade por todos os seus crimes", afirmou no Telegram o chefe de gabinete da presidência ucraniana, Andriy Yermak.

Yermak considerou que o teto deveria ter um valor menor, para acelerar a 'demolição' da economia da Rússia, segundo maior exportador mundial de petróleo. "Deveria ter sido fixado em 30 dólares (o barril) para destruí-la mais rapidamente”, escreveu.

— com informações da AFP

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