Donald Trump: presidente dos EUA acusou a Opep de causar aumento de preços do petróleo (Tom Williams/CQ-Roll Call, Inc via Getty Images/Getty Images)
Repórter
Publicado em 29 de abril de 2026 às 06h02.
Última atualização em 29 de abril de 2026 às 10h33.
Após 60 anos como membro, os Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciam sua saída da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), em um forte golpe contra o líder informal do bloco, a Arábia Saudita, enquanto o mundo passa por uma intensa crise energética.
Como o terceiro maior produtor de óleo da Opep, que tinha até então 12 membros, a saída dos Emirados vem como um choque que, segundo analistas, pode enfraquecer a coalizão, considerada uma espécie de cartel internacional.
Por anos, membros da Opep atuaram para influenciar os preços globais da commodity —eles controlam cerca de 80% das reservas comprovadas de petróleo do mundo, mas produzem apenas 40% do petróleo bruto global, o que ajuda a manter os preços de mercado em um nível que possa sustentar as economias dos países produtores de petróleo.
A saída dos Emirados e o subsequente enfraquecimento do bloco são vistos como uma vitória para o presidente americano, Donald Trump, que no passado acusou a organização de "dar um golpe no resto do mundo" por inflar artificialmente os preços do petróleo ao manipular a produção e as exportações.
Na semana passada, a Casa Branca e os Emirados discutiram um acordo comercial pelo qual os bancos centrais de ambos os países trocariam quantias equivalentes em suas respectivas moedas caso a crise no Oriente Médio se aprofundasse. Pouco tempo depois, nessa terça, 28, o país anunciou seus planos para cortar laços com a Opep em um prazo de poucos dias, conforme a guerra na região se aproxima da nona semana.
Além disso, a saída dos Emirados da Opep mostra rixas internas sobre limites à produção de petróleo e geopolítica entre os Emirados e a Arábia Saudita, que lidera informalmente a coalizão.
Ministros sauditas favorecem a imposição de limites à produção da aliança para dar espaço ao mercado de petróleo, que já enfrentava três anos consecutivos de perdas anuais antes da crise. Por seu lado, os Emirados se frustraram com os limites, e analistas preveem que o país deve passar a produzir mais petróleo a curto prazo para cumprir suas ambições de transição energética no futuro, detalhada como um dos principais motivos de seu afastamento da Opep.
Além disso, os EUA criticaram as lideranças dos demais estados do Golfo Pérsico por não terem feito o suficiente para proteger os Emirados contra ataques retaliatórios do Irã em um fórum entre os países, na segunda, 27.