Entenda por que hidrelétricas dominam matriz energética brasileira

Usinas movidas à energia hidráulica são responsáveis pela geração de 68% da energia do país, um total de 107.802.435 kilowatts

São Paulo – Os esforços do governo para viabilizar a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), trazem à tona a clássica discussão sobre a lógica por trás da matriz energética brasileira. Afinal, as hidrelétricas são, de fato, a melhor opção para o país?

Existem exatos 2.218 empreendimentos energéticos em operação no país, responsáveis por gerar um total de 107.802.435 kW. Nos próximos anos, ambos o números irão subir. De acordo com a  Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Brasil irá ganhar mais 587 geradoras de energia elétrica, adicionando ao potencial do país mais 37.071.436 kW.

Do total de empreendimentos, 846 são hidrelétricas, que geram 68% da energia elétrica do país, ou seja, 78.979.833 kW. E este número não para por aí. Em breve, mais 316 usinas movidas à energia hidráulica entram em operação.

Dados do Ministério de Minas e Energia avaliam que o potencial energético dos rios brasileiros podem chegar a 258.410 MW (Megawatts) e que apenas 28.2% é aproveitado. As três grandes bacias hidrográficas do país (Amazonas, São Francisco e Paraná) cobrem cerca de 72% do território nacional e concentram 80% do volume de água do país. Uma força hídrica que impressiona o mundo e sustenta a demanda por energia.

Em entrevista à Exame.com, Silvio Areco, diretor executivo da Andrade & Canellas, consultoria em energia elétrica, e ex-diretor de geração da CESP (Companhia Enérgica de São Paulo), falou sobre o panorama histórico da energia hidrelétrica no Brasil, mostrando as vantagens da energia gerada por água: além de limpa, é renovável e barata.  Hidrelétricas, como a Belo Monte, por exemplo, podem gastar R$78 MW/h, enquanto o valor para usinas eólicas é de R$150 e usinas a gás, R$200.


 

O Brasil e a escolha pela força hidráulica

A preferência nacional pelas hidrelétricas está diretamente ligada à abundância de recursos hídricos no território brasileiro, são mais de 12 mil rios. Os que compõem a Bacia Amazônica, por exemplo, correspondem a 72% deste total.

Estudos para levantar o potencial hidrelétrico dos rios começaram nos anos 40 e foram organizados por uma empresa canadense de engenharia Canambra e o Banco Mundial. “A partir desta primeira análise, foi possível organizar e planejar a exploração da força d’água para a produção de energia elétrica no Brasil”, explica Areco. 

 Apagão e racionamento de energia

A infraestrutura da maioria das hidrelétricas, contudo, é um entrave para o aumento da produção. Boa parte das usinas brasileiras funciona em regime de fio d’água, ou seja, não possuem um reservatório que permita o armazenamento e, portanto, a economia de água para que se tenha de fato um excedente na geração. “As usinas utilizam toda a vazão que os rios permitem para gerar energia, não guardam nada”, diz Areco.

A falta de reservatórios nas usinas brasileiras foi um dos fatores que contribuíram diretamente para a crise do apagão, que atingiu o Brasil há cerca de 9 anos. A estiagem, entre 2000 e 2001, fez com que as usinas operassem em plena capacidade, esvaziando assim o pouco que pudessem armazenar. “Não havia capacidade energética para atender a demanda nem como expandir a produção hidráulica”, relembra Areco.

Entraram em ação as usinas termoelétricas, numa tentativa do governo de suprir as demandas do país. “O problema é que a energia termoelétrica é mais cara, aumentando o preço para o consumidor. Precisou-se então reduzir a força o mercado consumidor, racionando a energia produzida”, diz ele.


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