Entenda as eleições que podem mudar tudo para Trump e os Estados Unidos

Os americanos voltam às urnas nesta terça-feira, 6 de novembro. Veja tudo o que está em jogo para Trump e o país

São Paulo – Os americanos voltam às urnas nesta semana, 6 de novembro, dois anos depois das eleições presidenciais de 2016 que culminaram na vitória do atual presidente, Donald Trump. Dessa vez, contudo, os eleitores irão definir o desenho legislativo do país e o resultado será essencial para medir o poder que a gestão republicana terá nos próximos dois anos.

Abaixo, EXAME compilou um guia que apresenta os principais pontos em torno das eleições legislativas de 2018 dos Estados Unidos. Veja abaixo:

O que está acontecendo?

Se em 2016, os americanos escolheram o ocupante da Casa Branca, em 2018, escolherão os nomes que irão compor o Congresso, os governos estaduais e outros cargos em diferentes níveis. Aqui, contudo, o voto popular é o processo por meio do qual os nomes são eleitos, enquanto no pleito presidencial é o colégio eleitoral que conta.

Assim como a eleição presidencial, as eleições legislativas acontecem de quatro em quatro anos, mas no meio do mandato presidencial. São, portanto, quase que um referendo do trabalho do presidente em exercício, um termômetro importante que permite medir o desempenho do chefe da Casa Branca durante seus primeiros dois anos de gestão.

Esse pleito é geralmente deixado de lado pelo eleitorado americano, já que no país o voto não é obrigatório. Neste ano, contudo, o comparecimento às urnas pode ser recorde e ultrapassar a marca de 49%, percentagem de eleitores que votaram no pleito em 1966 e até então não superado, mostrou o The Guardian.

O que será renovado?

Vários cargos em diferentes âmbitos estão na disputa. Os mais importantes, no entanto, são os 435 assentos da Câmara dos Representantes (espécie de Câmara dos Deputados, na comparação com o Brasil), os 35 no Senado (que é composto de 100 assentos) e governadores de 36 estados e 3 territórios (o total de governadores é de 50).

No caso dos representantes, os nomes são eleitos para mandatos que duram dois anos, enquanto no Senado o mandato é de seis anos. Na maioria dos estados, o mandato para o governo é de quatro anos, com exceção de New Hampshire e Vermont, nos quais o termo é de dois anos.

O que está em jogo?

A presidência como um todo. Atualmente, Trump tem uma posição confortável na qual o Partido Republicano tem o controle da maioria de ambas as casas e também dos governos estaduais, importantes veículos de apoio e financiamento das campanhas dos partidos.

Se o presidente eventualmente perder essa maioria, é possível que partes muito relevantes da sua agenda fiquem travadas no Congresso pelo restante do seu mandato. Um exemplo? O polêmico muro na fronteira dos Estados Unidos e do México, cuja construção depende da sua aprovação nas casas. Além disso, num eventual desenho de maioria democrata, o republicano poderá ver o fortalecimento de investigações no âmbito da interferência russa nas eleições de 2016.

A história mostra que o presidente em exercício tem razões para se preocupar. Desde 1968, poucas foram as ocasiões nas quais o mesmo partido ficou em controle da administração do país tanto no legislativo quanto no executivo. Isso ocorreu durante a presidência de Jimmy Carter e os dois primeiros anos da presidência de Bill Clinton.

Como estão divididos o Congresso e os governos estaduais hoje?

Atualmente, o desenho nos Estados Unidos é favorável a Trump, já que o Partido Republicano está como maioria dos assentos em todos os níveis.

Na Câmara dos Representantes, são 194 democratas e 241 republicanos. Nesta casa, são necessários 218 assentos para assegurar a maioria.

No Senado, há 47 democratas, 51 republicanos e 2 independentes. Ao todo, 35 assentos serão renovados e é preciso um mínimo de 51 deles para garantir a maioria.

Em âmbito estadual, hoje 33 governadores são do Partido Republicano, 16 são do Partido Democrata e 1 é independente. Dos que renovarão os mandatos, 26 são republicanos.

Qual o cenário possível?

Analistas enxergam como o cenário mais plausível aquele em que os democratas conquistam o controle da Câmara dos Representantes e os republicanos continuem com a maioria no Senado. Já nas disputas estaduais, o cenário está acirrado e incerto, com alguns estados republicanos prestes a eleger governadores democratas.

Entre os Representantes, além dos assentos que já detém (193), os democratas precisariam de apenas mais 24 para conseguir a maioria. Os americanos são tradicionalmente inclinados a reeleger um representante e, como um total de 39 republicanos vão se retirar da disputa por diferentes razões, as chances de vitória aqui são boas.

Já no Senado, a corrida é mais apertada, uma vez que os democratas precisariam garantir os assentos atuais (47) e ainda conquistar mais dois assentos dos republicanos.

Há algum destaque nas corridas eleitorais?

Sim, além da possibilidade de as eleições de 2018 conquistarem um recorde no comparecimento às urnas, o papel das mulheres está mais forte do que nunca. Entre os fatores que contribuíram para isso estão a campanha contra assédio sexual #metoo e também a nomeação de Brett Kavanaugh à Suprema Corte, apesar das acusações de assédio que pairavam sobre o seu nome.

Atualmente, elas representam apenas 20% das cadeiras no Congresso, mas a expectativa é a de que essa participação aumente. Segundo um levantamento da CNN, 256 mulheres se qualificaram para disputar os cargos no Congresso. 234 concorrem a um assento na Câmara dos Representantes e 22 no Senado. Em âmbito estadual, 16 estão na briga por governos.

O Partido Democrata é o que registra o maior número de candidatas mulheres. Se eleitas, várias entrarão para a história por suas conquistas. Uma delas é a nova-iorquina Alexandria Ocasio-Cortez, que aos 28 anos disputa a Câmara dos Representantes e poderá se tornar a mulher mais jovem eleita para o Congresso.

Nas disputas estaduais, a democrata Stacey Abrahams, da Georgia, está prestes a se tornar a primeira mulher negra governadora da história do país. No Texas, outra democrata, Lupe Valdez, pode virar a primeira governadora latina e a primeira lésbica eleita para tal. Em Vermont, Christine Hallquist tem chances se tornar a primeira governadora transexual.

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