Na Ucrânia, regiões ocupadas iniciam referendo sobre anexação à Rússia

As votações serão nas regiões Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporizhzhia e devem durar cinco dias; entenda o que significa
Putin: autoridades pró-Rússia iniciam referendos de anexação em regiões ocupadas da Ucrânia (RIA Novosti Host Photo Agency/Alexander Vilf/Reuters)
Putin: autoridades pró-Rússia iniciam referendos de anexação em regiões ocupadas da Ucrânia (RIA Novosti Host Photo Agency/Alexander Vilf/Reuters)
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AFP

Publicado em 23/09/2022 às 07:05.

Última atualização em 23/09/2022 às 07:32.

As autoridades leais a Moscou nas regiões ocupadas da Ucrânia iniciaram nesta sexta-feira, 23, os referendos de anexação à Rússia, considerados ilegais por Kiev e seus aliados ocidentais que não reconhecerão os resultados.

As votações nas regiões Donetsk e Lugansk (leste), assim como em Kherson e Zaporizhzhia (sul), começaram às 5H00 GMT (2H00 de Brasília), informaram as agências de notícias russas, e devem durar cinco dias.

Os referendos aumentam a tensão de uma semana marcada pela mobilização de 300.000 reservistas anunciada pelo presidente russo Vladimir Putin, que também ameaçou utilizar o arsenal nuclear para proteger o território de seu país.

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Uma hipotética integração à Rússia das quatro regiões, que os analistas consideram algo certo, implicaria que Moscou, seguindo sua doutrina, poderia utilizar suas armas atômicas para defendê-las da contraofensiva iniciada pela Ucrânia no leste e sul do país.

"Não podemos deixar o presidente Putin se safar"", afirmou em uma reunião do Conselho de Segurança da ONU o secretário de Estado americano, Antony Blinken, que acusou o russo de "jogar lenha na fogueira". "A ordem internacional que tentamos salvar aqui está sendo destruída diante de nossos olhos", acrescentou.

Os referendos recordam a consulta organizada em 2014 na península da Crimeia, anexada à Rússia depois de uma votação considera fraudulenta pelas potências ocidentais.

Após o anúncio dos referendos na terça-feira, os líderes ocidentais denunciaram o caráter ilegítimo das votações.

Na ONU, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, rebateu as acusações e atribuiu a situação ao "Estado totalitário nazista" de Kiev. "Há uma tentativa de nos imputar uma narrativa completamente diferente sobre uma agressão russa como a origem desta tragédia", disse.

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"Uma farsa"

Nas regiões de Donetsk e Lugansk, reconhecidas como nações independentes por Moscou pouco antes da invasão iniciada em 24 de fevereiro, os moradores devem responder se apoiam "a entrada na Rússia", de acordo com a agência russas TASS.

Em Kherson e Zaporizhzhia, no sul, as cédulas incluem a pergunta: "Você é favorável à secessão da Ucrânia, à formação de um Estado independente e sua união à Federação da Rússia como membro da Federação da Rússia?".

O processo será peculiar. As autoridades devem recolher os votos porta a porta nos primeiros quatro dias do referendo e apenas no último dia, terça-feira (27), os locais de votação abrirão as portas.

Leonid Pasechnik, líder da autoproclamada república de Lugansk, disse que espera pela votação desde 2014, quando começou a rebelião de insurgentes pró-Rússia nesta região e na vizinha Donetsk. "É nosso sonho e futuro comum", disse.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky chamou os referendos de "farsa" e agradeceu aos aliados ocidentais que condenaram "outra mentira russa".

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Troca de prisioneiros

O presidente russo e o príncipe herdeiro saudita expressaram "satisfação" com uma troca de prisioneiros com a Ucrânia que incluiu combatentes estrangeiros, com a mediação da Arábia Saudita.

As autoridades ucranianas anunciaram na quarta-feira que receberam 215 combatentes do país e estrangeiros durante uma troca com a Rússia, que recuperou 55 prisioneiros russos, incluindo o ex-deputado ucraniano Viktor Medvedchuk, próximo a Putin e acusado de alta traição em Kiev.

A Arábia Saudita anunciou ainda a transferência para seu território de cinco britânicos, dois americanos, um marroquino, um sueco e um croata como parte da troca.

Os cinco britânicos liberados retornaram na quinta-feira para o Reino Unido.

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