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Eleições na Venezuela: 6 opositores perseguidos pelo governo Maduro estão há 100 dias na Argentina

Cinco dos detidos faziam parte do comando de campanha de González Urrutia, o candidato de consenso da oposição que ameaça a continuidade de Maduro no poder

Agência o Globo
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Agência de notícias

Publicado em 3 de julho de 2024 às 12h25.

Seis dirigentes políticos da oposição na Venezuela já passaram 100 dias asilados na embaixada da Argentina em Caracas, acusados de terrorismo, associação criminosa e traição à pátria. Cinco deles eram integrantes do comando de campanha do diplomata Edmundo González Urrutia, de 74 anos, o candidato de consenso da oposição apoiado pela líder opositora María Corina Machado, inabilitada por 15 anos, e que ameaça a continuidade do chavismo no poder.

Os detidos fazem parte da equipe política inteira – o cérebro da campanha. São eles Magalli Meda, a chefe do bloco; Claudia Macero, jornalista responsável pela comunicação nacional; Pedro Urruchurtu, coordenador de relações internacionais; Omar González, chefe de campanha do estado de Anzoátegui; e Humberto Villalobos, responsável pela logística eleitoral. Todos têm contra si ordens de prisão por “ações violentas”, “terrorismo” e “desestabilização” do país.

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Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia da Venezuela e dirigente do Partido Socialista Unido, os acusou recentemente (em particular Meda e Villalobos) de estarem orquestrando atos violentos para o dia das eleições, previstas para ocorrer no próximo 28 de julho. Eles estariam, disse, organizando motociclistas para cercar os espaços urbanos “onde vota a direita”. O modus operandi, de fato, tornou-se clássico nos procedimentos chavistas quando há tensão política no país.

Todos os asilados são membros da direção nacional do partido Vente Venezuela e colaboradores diretos de María Corina, fundadora da organização e líder da oposição venezuelana. Henri Alviarez, coordenador nacional da organização, e Dinora Hernández, secretária política nacional do partido, foram detidos em plena rua e agora estão presos. A investida fez com que eles pedissem asilo diplomático.

Alguns desses dirigentes já tinham estado em asilo temporário na embaixada da Holanda sob acusações semelhantes, pouco depois do fim das eleições primárias organizadas pela oposição em 22 de outubro do ano passado – que tiveram sucesso, embora tenham sido imediatamente ignoradas pela legalidade revolucionária.

A dada altura, no âmbito das negociações mediadas internacionalmente, o chavismo recuou no procedimento. Em termos de repressão, as coisas pioraram seriamente na Venezuela desde janeiro. Fernando Martínez Mottola, um político sem filiação partidária que não pertence ao Comando com Venezuela, da campanha de María Corina, mas que é um dirigente importante da Plataforma Unitária, encontra-se igualmente acusado pelo Ministério Público e asilado na embaixada argentina.

Recentemente, Martínez Mottola tem trabalhado ativamente, junto a delegações opositoras e pró-Chavez, na organização e nos termos do diálogo político patrocinado pelo governo da Noruega. Após ter um papel pronto para assinar uma medida de indulto, o governo de Nicolás Maduro negou-lhes terminantemente o salvo-conduto. Em meio a uma enorme incerteza, a administração do argentino Javier Milei os atende na qualidade de hóspedes.

Eles alegam que souberam de sua situação pela televisão, após o procurador-geral, Terek William Saab, os ter acusado, em março passado, de fazerem parte de uma conspiração para derrubar o governo, gerar violência no país e atentar contra a vida de Maduro. Enquanto isso acontecia com eles, algum tempo depois, coordenadores regionais do Vente Venezuela também foram acusados de crimes semelhantes e levados à prisão. Ao todo, 46 políticos e ativistas opositores, alguns sem militância partidária, foram detidos desde o final do último ano.

Na embaixada, esses dirigentes estão imersos em suas responsabilidades políticas, em meio a importantes limitações em matéria de serviços públicos. Seus advogados não tinham claro, no início, os termos da acusação, que acabaram sendo os mesmos que se formulam a quase todos os dirigentes opositores: instigação ao ódio, traição à pátria e associação para cometer crimes – além de terrorismo.

A decisão de conceder o salvo-conduto a esses políticos estava tomada, de acordo com a defesa, mas ela trazia consigo uma cláusula na qual se estabelecia que nenhum deles poderia fazer ativismo político no exílio, e estavam obrigados a colaborar com a Justiça venezuelana, à qual esses não quiseram se submeter.

A campanha eleitoral venezuelana transcorre sem incidentes graves em matéria de violência, mas em meio a um ambiente muito assimétrico para a promoção de mensagens, disposição de espaços públicos, recursos e uso da lei – todos amplamente favoráveis a Maduro, o presidente-candidato, que controla confortavelmente os recursos do poder no país, realiza comícios políticos em atos militares e pôde apresentar os membros de seu comando de campanha na televisão.

A campanha da oposição, quase inexistente em matéria de promoção eleitoral, sem presença nos meios de comunicação, sem cartazes, adesivos, nem pinturas nas ruas, repousa em uma intensa promoção de viagens por vilas e cidades médias que María Corina realiza junto a González Urrutia, com um claro veto à capital. Os vídeos de seus comícios nas redes sociais se viralizam rapidamente. De acordo com o que informam pelo menos quatro das firmas de pesquisa mais renomadas do país, González Urrutia tem uma clara vantagem sobre Maduro em intenção de voto, com média de 50% contra 26%.

 

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