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Eleições em Gaza podem medir popularidade do Hamas pela primeira vez em anos

Processo eleitoral em uma das cidades palestinas que não foram ocupadas por forças israelenses votará em eleições municipais nesse fim de semana que contarão com candidatos pró Hamas

Uma pessoa acena uma bandeira palestina enquanto as pessoas caminham pela rua costeira al-Rashid, em Gaza, para cruzar o corredor Netzarim do sul da Faixa de Gaza para o norte, em 27 de janeiro de 2025. Palestinos deslocados começaram a retornar ao norte de Gaza em 27 de janeiro, disse à AFP um funcionário do Ministério do Interior do território, administrado pelo Hamas, após um avanço nas negociações entre o Hamas e Israel. (Foto de Omar AL-QATTAA / AFP) (Omar AL-QATTAA /AFP)

Uma pessoa acena uma bandeira palestina enquanto as pessoas caminham pela rua costeira al-Rashid, em Gaza, para cruzar o corredor Netzarim do sul da Faixa de Gaza para o norte, em 27 de janeiro de 2025. Palestinos deslocados começaram a retornar ao norte de Gaza em 27 de janeiro, disse à AFP um funcionário do Ministério do Interior do território, administrado pelo Hamas, após um avanço nas negociações entre o Hamas e Israel. (Foto de Omar AL-QATTAA / AFP) (Omar AL-QATTAA /AFP)

Publicado em 23 de abril de 2026 às 06h01.

As eleições municipais na cidade de Deir al-Balah, localizada no centro da faixa de Gaza, podem fornecer um termômetro da popularidade do Hamas, grupo que detém considerável influência política na região.

Será a primeira votação de qualquer tipo em Gaza desde 2006, quando o Hamas emergiu vitorioso de eleições legislativas e de uma breve guerra civil que destronou o partido Fatah, que era dominante na área. Desde então, o Hamas atuou como a principal força política e militar palestina na região e desempenhou um papel de protagonista no conflito contra Israel.

As eleições de Deir al-Balah fazem parte de eleições municipais conduzidas pela Autoridade Palestina (AP) no que muitos habitantes consideram como um sinal de união nacional contra um plano americano para Gaza, protagonizado pelo Conselho de Paz de Trump entendido por essas pessoas como demasiadamente injusto à população local, já que a reconstrução da região seria conduzida por tecnocratas palestinos apolíticos, ao invés de ser feito por atores eleitos pela própria população, e envolveria a entrega de autoridade do Hamas para o comitê, junto de seu desarmamento completo.

Antecipação e esperança

De acordo com o porta-voz do comitê eleitoral da AP, Fareed Taamallah, cerca de 70 mil palestinos poderão votar nas eleições desse fim de semana, afirmando também que Deir al-Balah foi escolhida por ter sofrido relativamente poucos danos durante a guerra. A cidade também é um porto seguro, com forças israelenses ocupando mais da metade da Faixa de Gaza.

As votações serão conduzidas em 12 centros, incluindo campos abertos e tendas, ao longo de ruas decoradas com banners de uma miríade de partidos e candidatos rivais, entre os quais alguns cidadãos e analistas consideram pró-Hamas, apesar de a organização não ter entrado na corrida com um candidato oficial nem ter endossado alguém.

O porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, disse que o grupo respeitaria os resultados das eleições, com fontes familiares com o assunto dizendo à Reuters que a organização despacharia policiais e forças de segurança para garantir o andamento seguro das votações. Apesar da guerra, pesquisas mostram que 41% dos palestinos ainda apoiam o Hamas, enquanto 29% preferem o Fatah.

Mesmo assim, o clima é de antecipação e animação para as primeiras eleições em 20 anos:

"Pela primeira vez na minha vida, em 20 anos, terei este sentimento. Ouço falar de eleições desde que nasci, mas, devido às circunstâncias, nenhuma eleição é realizada", diz à Reuters o cidadão local Al-Bardini, de 34 anos. "Estamos ansiosos para participar para que possamos mudar a realidade que nos foi imposta."

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