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Eleição na Armênia é marcada por aproximação com a União Europeia e pressão da Rússia

Primeiro-ministro Nikol Pashinyan lidera as pesquisas, enquanto Moscou aumenta a pressão sobre o país caucasiano em meio ao debate sobre sua integração europeia

Eleições na Armênia: pleito é marcado por tensões entre Rússia e União Europeia (Gleb Garanich/Reuters)

Eleições na Armênia: pleito é marcado por tensões entre Rússia e União Europeia (Gleb Garanich/Reuters)

Publicado em 7 de junho de 2026 às 10h16.

Última atualização em 7 de junho de 2026 às 11h21.

Cerca de 2,5 milhões de armênios foram às urnas neste domingo, 7, em uma das eleições legislativas mais polarizadas dos últimos anos. A votação ocorre em meio ao aprofundamento das relações da Armênia com a União Europeia (UE) e ao aumento das tensões com a Rússia, tradicional aliada do país no Cáucaso.

As seções eleitorais abriram às 8h no horário local. A legislação armênia não permite o voto no exterior, o que impede a participação da numerosa diáspora do país.

O partido Contrato Cívico, liderado pelo primeiro-ministro Nikol Pashinyan, aparece à frente nas pesquisas de intenção de voto, com cerca de 30% da preferência do eleitorado.

Após votar, Pashinyan rejeitou a possibilidade de uma saída imediata da Armênia da União Econômica Eurasiática (UEE), bloco liderado pela Rússia e integrado também por Belarus, Cazaquistão e Quirguistão. Segundo ele, qualquer decisão dentro da organização depende de consenso entre os membros.

O premiê afirmou ainda que a Armênia não está pronta para solicitar formalmente a adesão à União Europeia ou obter o status de candidata ao bloco, destacando que o país precisa avançar em reformas antes de dar esse passo.

Apesar do discurso conciliador, as relações com Moscou se deterioraram nas últimas semanas. A Rússia impôs restrições a importações agrícolas armênias, ameaçou suspender o fornecimento de petróleo e gás e passou a discutir medidas relacionadas à permanência do país na UEE.

Para implementar sua agenda, Pashinyan busca conquistar maioria parlamentar suficiente para promover mudanças constitucionais e avançar nas negociações de paz com o Azerbaijão. O acordo é considerado estratégico para a abertura de novos corredores de transporte no Cáucaso Sul, projeto apoiado pela União Europeia e pelos Estados Unidos.

Oposição denuncia detenções

O principal nome da oposição, o empresário russo-armênio Samvel Karapetyan, denunciou que cerca de cem apoiadores foram detidos nos últimos dias, incluindo durante a jornada eleitoral.

Karapetyan, que responde a acusações relacionadas à tentativa de derrubar o governo, defende uma política externa equilibrada, mantendo relações tanto com a Rússia quanto com o Ocidente. Seu partido, Armênia Forte, aparece nas pesquisas com intenções de voto entre 10% e 16%.

Outro nome relevante da oposição é o ex-presidente Robert Kocharyan, frequentemente apontado por críticos como próximo ao Kremlin.

A reta final da campanha também foi marcada por disputas envolvendo a Igreja Apostólica Armênia e por denúncias de irregularidades eleitorais. O governo ordenou a prisão de políticos suspeitos de compra de votos, enquanto a Rússia questionou a legitimidade do processo eleitoral devido às ações contra lideranças oposicionistas.

Caso nenhuma força política consiga formar governo após a apuração, a legislação prevê a realização de um segundo turno em até nove dias.

(Com informações da EFE)

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