"É um momento decisivo para o mundo árabe", diz pesquisador suíço

Para economista do instituto IMD, já é possível enxergar uma mudança na mentalidade dos países em que os protestos estão acontecendo

São Paulo - Ainda é cedo para saber em que direção o mundo árabe vai caminhar depois dos protestos que estão revirando países como Egito, Tunísia e Argélia desde o começo da semana. Mas na opinião do economista Samuel Bendahan, pesquisador do instituto suíço IMD, os protestos são mais do que uma agitação pontual. "É um momento decisivo para estes países", afirma.

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O pesquisador, que é especialista em economia e política internacional, diz que é possível enxergar uma mudança na mentalidade da população dos países em questão. "O maior obstáculo para revoluções surge quando as pessoas acham que não é possível melhorar. Quando elas creem que o governo é poderoso demais, e nada pode ser feito. Esta foi a realidade nos últimos 20 anos nestes países. O grande fato é que isto acaba de mudar", diz.

Dada a força dos protestos, fica difícil pensar que não houve uma quebra de paradigma. O comportamento padrão nos países árabes com governos autoritários é geralmente o silêncio. No Egito, por exemplo, em 20 anos de autoritarismo, uma onda de protestos como a desta semana nunca tinha sido vista.

Para Bandahan, apenas uma força seria capaz de acender o pavio de movimentos tão intensos: a situação econômica. No caso do Egito, estima-se que mais 40% da população do país seja analfabeta. E mais da metade sobrevive ganhando cerca de um dólar por dia. Para piorar, a taxa de desemprego é elevada, principalmente entre os jovens.

"Há muito tempo não há democracia nestes países, e a população nunca se manifestou desta forma. O problema é que, quando está tudo bem economicamente, as pessoas realmente se preocupam menos com as restrições às liberdades. Agora, quando elas não têm mais nada a perder e estão indignadas com o sistema, muda tudo. O que elas têm a fazer é sair às ruas e protestar", explica Bandahan.

O pesquisador enfatiza ainda que as manifestações são positivas, e que qualquer intervenção internacional deveria ser cautelosa. "A ajuda de outros países seria bem-vinda apenas para consolidar a democracia. Como no caso da Tunísia, em que o antigo regime foi derrubado e agora querem convocar eleições. Mas é preciso ser cuidadoso para não interferir demais no processo. As mudanças de verdade sempre têm que partir do povo."

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