Dois funcionários da embaixada russa morrem em atentado suicida em Cabul

O agressor detonou a carga explosiva perto da entrada da seção consular da embaixada
É o primeiro ataque contra uma missão estrangeira desde que o Talibã tomou o poder em agosto do ano passado (AFP/Getty Images)
É o primeiro ataque contra uma missão estrangeira desde que o Talibã tomou o poder em agosto do ano passado (AFP/Getty Images)
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AFP

Publicado em 05/09/2022 às 10:46.

Última atualização em 05/09/2022 às 11:43.

Dois funcionários da embaixada russa em Cabul, a capital do Afeganistão, morreram nesta segunda-feira, 5, em um atentado com bomba perto da legação diplomática, anunciou o ministério russo das Relações Exteriores.

É o primeiro ataque contra uma missão estrangeira desde que o Talibã tomou o poder em agosto do ano passado.

O agressor detonou a carga explosiva perto da entrada da seção consular da embaixada.

"Como resultado do ataque, dois funcionários da missão diplomática morreram e também há cidadãos afegãos entre os feridos", disse o Ministério das Relações Exteriores russo.

Por sua vez, o porta-voz do Ministério do Interior afegão, Abdul Nafy Takor, deu à AFP uma versão diferente, assegurando que um homem-bomba foi morto a tiros por guardas talibãs na embaixada russa.

Um civil afegão morreu e vários outros ficaram feridos, de acordo com esta versão.

Assim como em outros ataques recentes, os serviços de segurança do Talibã rapidamente isolaram a área e impediram a mídia de filmar perto do local. Nenhum grupo reivindicou o ataque por enquanto.

"Estamos falando de um atentado terrorista. É inaceitável", comentou rapidamente à imprensa o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Desde que o Talibã voltou ao poder, a violência no Afeganistão diminuiu bastante. Mas vários ataques com bomba, alguns contra comunidades minoritárias, abalaram o país nos últimos meses, muitos deles reivindicados pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

Na semana passada, um ataque suicida em uma das maiores mesquitas do oeste do Afeganistão, na cidade de Herat, matou ao menos 18 pessoas, incluindo um imã influente.

O clérigo Mujib ur Rahman Ansari, que havia pedido a decapitação daqueles que cometerem "o menor ato" contra o governo, morreu nesse ataque.

Este é o segundo clérigo pró-Talibã que morre em uma explosão em menos de um mês, depois que Rahimullah Haqqani foi morto em um ataque suicida em sua madraça de Cabul.

Várias mesquitas em todo o país foram atacadas neste ano, algumas em atentados reivindicados pelo EI.

Em 17 de agosto, pelo menos 21 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas quando uma explosão destruiu uma mesquita repleta de fiéis em Cabul.

O EI visa principalmente comunidades minoritárias, como xiitas, sufis e sikhs.

Embora o EI seja um grupo islâmico sunita, como o Talibã, ambos são rivais e diferem muito em termos de ideologia.

Segundo o governo, o EI foi derrotado, mas especialistas dizem que o grupo é o principal desafio de segurança para os novos líderes islâmicos do país.

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