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Dinamarca tem mais casos de coágulo pós-vacina; OMS diz não haver relação

Apesar das ocorrências, reguladora europeia e OMS afirmam que é provável que os casos já ocorreriam nessas pessoas com ou sem vacina

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Vacina da AstraZeneca: mais de 20 milhões de pessoas já foram vacinadas com o imunizante na UE e Reino Unido, e autoridades dizem que não foi possível encontrar relação de coágulos com a vacina (Dan Kitwood/Getty Images)

Vacina da AstraZeneca: mais de 20 milhões de pessoas já foram vacinadas com o imunizante na UE e Reino Unido, e autoridades dizem que não foi possível encontrar relação de coágulos com a vacina (Dan Kitwood/Getty Images)

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Redação

Publicado em 21 de março de 2021, 13h31.

Última atualização em 22 de março de 2021, 15h35.

A Dinamarca reportou, no último sábado, 20, mais dois casos de formação de coágulos sanguíneos, entre os quais um dos pacientes morreu. As pessoas em questão haviam recebido menos de duas semanas antes a vacina de Oxford com a Astrazeneca, embora não haja relação comprovada entre a vacina e os casos.

A EMA, agência reguladora europeia, disse nesta semana após estudar casos parecidos na Europa de que não há por ora comprovação de que a vacina aumente a chance de trombose e deu o veredicto para que os países europeus continuem usando o imunizante. A Organização Mundial da Saúde teve posicionamento parecido. 

A OMS afirma que o chamado tromboembolismo é "a terceira doença cardiovascular mais comum em todo o mundo". O principal argumento das reguladoras é que a proporção de casos não é maior do que a que seria registrada em tamanha amostra da população. Mais de 20 milhões de pessoas já receberam a vacina da AstraZeneca na União Europeia e no Reino Unido.

Além disso, as reguladoras afirmam que os riscos comprovados de morte ou sequelas graves causados pela covid-19 (inclusive nos sobreviventes) são maiores sem a vacinação e superam a suspeita de efeitos colaterais não comprovados das vacinas.

A União Europeia vem registrando mais de 2.000 mortes por covid-19 por dia. Ainda assim, a média móvel de mortes caiu 40% desde o pico em fevereiro, devido sobretudo à vacinação e à restrição de quarentenas para conter as novas variantes do coronavírus.

Semanas antes do começo das discussões sobre potenciais efeitos colaterais, governantes da União Europeia e AstraZeneca já vinha em embate pelo atraso da farmacêutica na entrega das vacinas prometidas. A vacina da AstraZeneca é ainda o carro-chefe da vacinação da UE, embora o bloco também vacine com Pfizer, Moderna e, mais recentemente, Johnson & Johnson's.

Na última semana, mais de 20 países suspenderam temporariamente a vacinação com o imunizante de Astrazeneca/Oxford até que se houvesse mais informações sobre os coágulos. A Dinamarca liderou esse movimento e foi um dos primeiros países a suspender o uso, em 11 de março, por "precaução", segundo o governo. 

Alguns países já voltaram a usar a vacina após o anúncio da OMS e da EMA, como são os casos da Alemanha e da França.

“Priorizamos relatos de suspeitas de efeitos colaterais graves como esses e os examinamos minuciosamente para avaliar se há uma possível ligação com a vacina”, escreveu no Twitter Tanja Erichsen, diretora interina de Farmacovigilância da Agência Dinamarquesa de Medicamentos. 

A Astrazeneca também disse não ter encontrado ligação entre o imunizante e a formação de coágulos.

Sobre o caso, a OMS publicou uma nota recomendando a continuidade da aplicação do imunizante de Astrazeneca/Oxford e fez um alerta. “A vacinação contra covid-19 não reduzirá doenças ou mortes por outras causas. Eventos tromboembólicos são conhecidos por ocorrerem com frequência. O tromboembolismo venoso é a terceira doença cardiovascular mais comum em todo o mundo”, segundo comunicado oficial (leia a nota na íntegra, em inglês).