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Diante de risco de ataque iraniano a Israel, EUA reforça posições militares no Oriente Médio

Pentágono afirma que medida é 'precaução', e que não tem informações de que as forças americanas possam ser atingidas pelo Irã

Contratorpedeiro americano USS Laboon trafega pelo Mar Vermelho (Elexia Morelos / Departamento de Defesa dos EUA/AFP)

Contratorpedeiro americano USS Laboon trafega pelo Mar Vermelho (Elexia Morelos / Departamento de Defesa dos EUA/AFP)

Agência o Globo
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Agência de notícias

Publicado em 12 de abril de 2024 às 16h11.

Última atualização em 12 de abril de 2024 às 16h40.

Diante da ameaça de um “iminente” ataque iraniano contra Israel, em resposta ao bombardeio do complexo diplomático do Irã em Damasco, no começo do mês, o Pentágono anunciou, nesta sexta-feira, que estava “reforçando” suas posições no Oriente Médio, sem indicar, contudo, que suas forças correm riscos.

Citado pela CNN, uma fonte do Departamento de Defesa sinalizou que a movimentação está centrada no fortalecimento dos sistemas de defesa aérea das bases e instalações usadas pelos militares no Iraque e na Síria. Não há uma indicação clara de que essas forças serão atacadas pelo Irã, mas o representante militar disse que a movimentação é uma medida de precaução, ainda mais diante do histórico recente na área.

Desde o início da guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas na Faixa de Gaza, os EUA afirmam terem sofrido mais de 160 ataques de grupos armados aliados do Irã no Iraque e na Síria, que deixaram 120 feridos — no mais grave deles, em janeiro, três militares americanos morreram quando um drone armado com explosivos atingiu uma base na fronteira entre Síria e Jordânia. Em resposta, os EUA lançaram, em fevereiro, uma série de ataques aéreos contra esses grupos.

Apesar dos laços militares e políticos cultivados com as milícias, Teerã tem tentado se desvencilhar desses ataques, como parte da estratégia de evitar se envolver em um conflito generalizado no Oriente Médio. Embora as duas nações não tenham relações diplomáticas desde 1979, houve contatos indiretos para conter uma eventual escalada: um exemplo disso ocorreu em março, quando o Financial Times revelou uma série de conversas, mediadas por Omã, centradas nos ataques da milícia houthi (também aliada do Irã) contra navios comerciais no Mar Vermelho.

Contudo, o ataque israelense contra o complexo diplomático iraniano em Damasco, no começo do mês, pode ter alterado essa equação. Autoridades em Teerã têm defendido publicamente uma retaliação ao bombardeio, que deixou 16 mortos, incluindo dois altos comandantes da Guarda Revolucionária.

"O maléfico regime sionista [Israel] cometeu outro erro, e esse foi o ataque ao consulado iraniano na Síria. As missões consulares e diplomáticas em qualquer país podem ser consideradas territórios daquele país. Quando eles atacam nosso consulado, significa que atacaram nosso solo", disse, na quarta-feira, o líder supremo Ali Khamenei. "O regime maléfico cometeu um erro, deve ser punido e será punido."

Uma decisão final sobre a ação, que poderia ter repercussões perigosas no Oriente Médio, ainda não teria sido tomada por Khamenei, e Washington tem trabalhado nos bastidores, com aliados do Irã, para dissuadir o país da ideia. Em uma dessas conversas, com a China, o secretário de Estado, Antony Blinken, ao invés de palavras de apoio ouviu cobranças para que os americanos tenham um “papel construtivo” no Oriente Médio, além de críticas ao ataque israelense contra o consulado do Irã. Segundo um porta-voz, Pequim ressaltou o “inviolável” direito à segurança de instalações diplomáticas, além da necessidade de “respeitar a soberania do Irã e da Síria”.

Nesta sexta-feira, o Hezbollah anunciou ter lançado “dezenas” de foguetes do tipo Katyusha contra o norte de Israel, segundo o grupo, “em resposta aos ataques do inimigo [Israel] contra vilas no sul do Líbano e casas de civis”. Autoridades militares israelenses afirmaram ter identificado 40 disparos, sendo que a maior parte foi interceptada, e os demais caíram em áreas desabitadas. O Exército disse ainda ter derrubado dois drones vindos do lado libanês da fronteira, e confirmou ter feito disparos “para remover uma ameaça em várias áreas no sul do Líbano”. Desde o início da guerra em Gaza, o Hezbollah tem mantido um conflito de baixa intensidade com os israelenses, marcado por lançamentos diários, que são respondidos com disparos de artilharia e bombardeios aéreos.

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